São Paulo e Rio caem em ranking de custo de vida mundial

Mas isso não significa que as cidades ficaram mais baratas, afirma pesquisa da consultoria de recursos humanos Mercer

As cidades brasileiras caíram várias posições no ranking mundial de custo de vida, elaborado anualmente pela consultoria de recursos humanos Mercer. São Paulo, que, em 2006, era a 34ª cidade mais cara do planeta, ficou em 62º lugar neste ano. Já o Rio de Janeiro recuou de 40º para 64º. Neste ano, a pesquisa envolveu 143 localidades, uma a menos que em 2006.

Mas, ao contrário do que se poderia supor, a queda não significa que o custo de vida nas cidades brasileiras baixou significativamente. A principal prova é que a pontuação delas, na qual a classificação se baseia, variou muito pouco. São Paulo recebeu dois pontos a menos neste ano, e ficou em 83,5. O Rio ganhou nota 82,5, um ponto a menos. “Essa variação não tem impacto relevante na classificação. Os brasileiros não caíram por mérito próprio”, afirma Denise Perassoli, coordenadora de Marketing da Mercer para a América Latina.

Segundo Denise, não foram as cidades brasileiras que ficaram mais baratas, mas as européias que encareceram, devido à valorização da moeda local. Nos últimos sete anos, os economistas calculam que o euro tenha se valorizado 33% frente ao dólar. O movimento elevou o custo de vida em diversas cidades do Velho Mundo, que ultrapassaram os brasileiros na pesquisa deste ano. Londres, por exemplo, recebeu 126 pontos no levantamento geral – 16 a mais que em 2006, o que a colocou como a segunda cidade mais cara do mundo. No ano passado, ela era a quinta do ranking.

Ranking mundial de custo de vida – 2007
Posição
Cidade
País
2007 2006
As mais caras
1 1 Moscou Rússia
2 5 Londres Inglaterra
3 2 Seul Córeia do Sul
4 3 Tóquio Japão
5 4 Hong Kong China
6 8 Copenhagen Dinamarca
7 7 Genebra Suíça
8 6 Osaka Japão
9 9 Zurique Suíça
10 10 Oslo Noruega
As brasileiras    
62 34 São Paulo Brasil
64 40 Rio de Janeiro Brasil
As mais baratas    
140 138 Montevidéu Uruguai
141 135 Quito Equador
142 140 Karachi Paquistão
143 144 Assunção Paraguai
Fonte: Mercer Human Resource Consulting

Moscou segue como o lugar mais caro para a vida de um executivo expatriado – no jargão corporativo, o profissional designado pela companhia para uma missão no exterior. Lá, o aluguel de um apartamento de luxo com dois dormitórios, mas sem mobília, custa 4.000 dólares por mês. Em Buenos Aires, 139ª cidade do ranking, o valor é menos da metade – 1.400 dólares.

Pacote de benefícios

De acordo com Denise, a crescente globalização das empresas eleva o peso de se analisar quanto custa viver em diversas cidades. “O custo de vida é um componente importante para compor o pacote de benefícios de executivos expatriados”, diz. Ela lembra que, para a empresa, um expatriado custa de três a quatro vezes mais que um funcionário local.

O custo de vida, porém, não chega a afetar a competitividade de um município na disputa por investimentos estrangeiros, segundo Denise. “Quando uma empresa decide enviar um executivo para determinada cidade, é porque ela é relevante para os seus negócios”, afirma. A capacidade de atrair novos recursos está mais ligada a outros fatores, como a estabilidade econômica, a infra-estrutura local, a qualidade da mão-de-obra e as dimensões do mercado consumidor.

Custo de vida em algumas cidades (em dólares) – 2007
Cidade Aluguel mensal de um apartamento de luxo, com dois dormitórios e sem mobília Passagem de ônibus ou metrô Um exemplar diário de jornal internacional Um hamburguer em fast food
Moscou 4.000
nd
6,3 4,8
Londres 3.888,78 5,83 2,33 7,56
São Paulo 1.654,06 0,99 1,18 5,41
Rio de Janeiro 1.890,36 1,04 0,95 4,94
Buenos Aires 1.400 0,35 1,63 4,36
Fonte: Mercer Human Resource Consulting