RJ encara maratona de dois anos rumo aos Jogos Olímpicos

Rio de Janeiro terá dois anos de trabalho intenso pela frente para concretizar seu ambicioso projeto olímpico

Rio de Janeiro – A pira olímpica será acesa no dia 5 de agosto no Maracanã, mas, antes disso, o Rio de Janeiro terá dois anos de trabalho intenso pela frente: o sucesso da Copa do Mundo aliviou a pressão sobre o Brasil, mas atrasos nas obras preocupam.

Depois da grande festa do futebol, organizada em 12 sedes, todos os olhares estão voltados para a Cidade Maravilhosa e seu ambicioso projeto olímpico.

Os primeiros Jogos Olímpicos organizados na América do Sul custarão nada menos que 36 bilhões de reais, um valor que corre sério risco de aumentar por conta dos atrasos nas obras.

De acordo com as autoridades locais, mais da metade dos investimentos serão oriundos do setor privado ou de parcerias entres os setores público e privado, mas o orçamento inicial já ultrapassa o valor gasto para a edição anterior, em Londres-2012.

Pouco antes da final da Copa do Mundo, na qual viu seu país conquistar o tetracampeonato, o alemão Thomas Bach, presidente de Comitê Olímpico Internacional (COI), deixou claro que os Jogos precisavam ser a “prioridade absoluta” do Brasil.

“Fiquei satisfeito com a confiança da presidente nos Jogos e no seu legado”, afirmou o dirigente depois de uma reunião realizada no dia 12 de junho.

Em abril, porém, a organização do Rio-2016 recebeu críticas duríssimas do australiano John Coates, vice-presidente do COI, que chegou a declarar que era a “pior já vista” em 40 anos.

Otimismo

Na semana passada o Comitê Organizador apresentou um balanço das obras e mostrou-se otimista com o cumprimento do cronograma. Dos 52 projetos diretamente ligados ao evento, 71% já estão sendo executados.

Além das instalações esportivas, estão previstas 27 obras de melhorias na cidade, principalmente no que diz respeito à mobilidade urbana.

Os projetos mais emblemáticos são a renovação da zona portuária, como aconteceu em Barcelona em 1992, a construção de uma nova linha de metrô ou a instalação de corredores de ônibus (BRT).

Apesar do otimismo existem muitas preocupações em relação a projetos que praticamente não saíram do papel.

A principal dor de cabeça é o Parque Olímpico de Deodoro, que receberá sete modalidades, entre elas ciclismo, tiro esportivo, esgrima, hipismo e hóquei sobre a grama. As obras, que deveriam ter começado no ano passado, só foram iniciadas no dia 3 de julho.

Três instalações herdadas dos Jogos Pan-Americanos de 2007 precisam ser renovadas e outras precisam ser erguidas do zero.

A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2016, prazo que não dá nenhuma margem de segurança aos organizadores.

Eventos-teste

No último sábado começou na Baía de Guanabara o primeiro evento-teste, uma prova de vela organizada num dos cartões postais da cidade, com o Pão de Açúcar como pano de fundo.

Na água, porém, a poluição trouxe à tona velhos problemas. Os competidores, entre eles muitos medalhistas olímpicos, se depararam com garrafas de plástico, sofás e vários animais mortos.

“Se as Olimpíadas começassem amanhã, realmente teríamos um grande problema”, criticou o australiano Mathew Belcher, campeão olímpico em Londres-2012 na categoria 470, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. No percurso, ele teve uma surpresa nada agradável: deu de cara com um cachorro morto.

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, contudo, assegurou que não havia “nenhum risco para a segurança dos atletas”.

As autoridades pretendem tratar 80% das águas usadas da baía até 2016.

Corrida contra o relógio

O principal Parque Olímpico será localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, perto do antigo autódromo. O local, que receberá 15 modalidades, parece hoje um grande terreno baldio.

Greves e atrasos afetaram o começo das obras e a construção do velódromo foi iniciada apenas em fevereiro. No imenso terreno que beira a lagoa de Jacarepaguá, aparecem apenas alguns blocos de concreto.

As únicas instalações que já estão de pé são a Arena da Barra, que receberá a ginástica e o trampolim, e o Parque Aquático Maria Lenk, ambos inaugurados em 2007.

Mas o Parque Aquático sequer receberá provas de natação, que serão realizadas numa instalação provisória ao lado, e deve se contentar apenas com os saltos ornamentais e o polo aquático.

A poucos quilômetros do local, o polêmico campo de golfe, localizado no meio de uma reserva ecológica que beira a praia do Recreio, ainda está na fase inicial de construção. A entrega está prevista para meados de 2015.

Com tanto trabalho pela frente, os 720 dias que faltam até a cerimônia de abertura precisam ser bem aproveitados, para evitar mais uma corrida contra o relógio, como aconteceu na Copa, quando vários estádios ficaram prontos na última hora.

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