Revolução no mundo dos negócios

Estrutura corporativa tradicional dá lugar a um modelo completamente novo. Para o SENAI, as transformações são grandes oportunidades

Um gestor de 1987 que viajasse 30 anos para o futuro não iria reconhecer o ambiente corporativo de 2017. Tudo o que se pensava e praticava está sendo atualizado e revisado. Desde a formação e a rotina dos profissionais até o próprio método de produção e o foco das corporações, nada mais é como antes.

Quatro elementos definem o mundo dos negócios da atualidade: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Não basta, por exemplo, oferecer um bom produto ou serviço. É preciso ouvir os consumidores, que têm cada dia mais poder sobre as decisões estratégicas da empresa. Além disso, a servitização da indústria (a necessidade de incorporar serviços aos produtos) transformou radicalmente a produção.

Uma pesquisa realizada recentemente pela IBM ouviu 723 executivos de marketing de 18 diferentes países, incluindo o Brasil. Para eles, um dos principais desafios de gestão é responder à “uberização”, fenômeno desencadeado por modelos de negócios disruptivos, como a Uber, a Netflix e o Spotify, que se aproveitaram das novas tecnologias para romper barreiras e tomar o espaço de indústrias tradicionais – respectivamente, nesses exemplos, a indústria automotiva, de entretenimento e de música.

Os modelos de cooperação entre academia, setor privado e governo foram transformados para dar conta do novo cenário. Nesse contexto, é importante reforçar as parcerias com as startups para o setor industrial. Típicas figuras do século 21, elas incorporam as maiores vantagens trazidas pelas novas tecnologias de comunicação, em especial a agilidade e a flexibilidade.

É para aproximar o mundo dos jovens inovadores e o das grandes corporações que o SENAI e o SESI desenvolvem uma série de atividades, em especial o Edital de Inovação para a Indústria, em parceria com o SEBRAE, que inclui uma categoria voltada à conexão entre startups e grandes indústrias.

Formação de pessoas

Pode assustar à primeira vista, mas esse cenário apresenta uma grande oportunidade. “A quarta revolução industrial vai ajudar a atrair os jovens para a indústria”, diz Felipe Morgado, gerente executivo de educação profissional e tecnológica  do SENAI, que aposta na formação dos jovens. “Algumas competências técnicas transversais serão necessárias para todas as pessoas. A lógica da programação é a base da nova sociedade”, diz Gustavo Leal, diretor de operações do SENAI.

“Além dessas habilidades, são cruciais também as competências ligadas a atitudes. Todo trabalho hoje consiste em solucionar problemas complexos”, afirma Leal. Os jovens contam com uma série de programas, como o Grand Prix SENAI de Inovação, que já os coloca em contato com grandes empresas.

Para profissionais formados, o SENAI oferece cursos sobre big data, computação em nuvem, robótica avançada, integração de sistemas, manufatura digital e manufatura aditiva. A instituição também visita as empresas e auxilia na instalação de novas tecnologias de grande impacto na produtividade e mais acessíveis para comprar e implantar do que os empresários pensam.

Além disso, os próprios executivos recebem informações e cursos proporcionados pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL). “A dicotomia tradicional entre prática e conhecimento não existe mais. Estamos em um mundo tão complexo, sofisticado do ponto de vista da liderança, que não há prática sem conhecimento técnico e acadêmico”, afirma Eduardo Fayet, gerente executivo de desenvolvimento empresarial do IEL Nacional.

As opções de treinamento são fundamentais para garantir que o setor industrial esteja preparado não só para o cenário de 2017, como para o
mundo dos negócios em 30 anos.

 (Senai/Sesi/Estúdio ABC)