Renan Calheiros renuncia à presidência do Senado

Senador afirma que renunciar antes seria concordar com as denúncias apresentadas contra ele

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), renunciou ao cargo de presidente do Senado por volta das 16h desta terça-feira (4/12). Em seu último discurso, Calheiros afirmou que não pediu a renúncia antes porque “poderia sugerir naquela momento uma aceitação das infâmias e inverdades contra mim”.

A renúncia foi anunciada durante a sessão de discussão e votação de um novo relatório do Conselho de Ética, que recomenda a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. Calheiros é acusado de ter usado laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas.

O senador estava afastado da presidência da Casa desde outubro, quando pediu uma licença de 45 dias, renovada posteriormente por mais 30. O mandato de presidente, que começou em fevereiro deste ano, terminaria apenas em 2010.

Calheiros não resistiu às pressões geradas por sucessivas acusações de quebra de decoro parlamentar. Em maio, enfrentou a primeira denúncia – a de ter recebido dinheiro de uma empreiteira para pagar contas pessoais. Esse processo foi a votação no plenário do Senado em setembro. Os parlamentares o absolveram por 40 votos a 35.

O senador também foi absolvido de uma segunda denúncia, ainda no Conselho de Ética. Tratava-se da acusação de ter beneficiado uma cervejaria no INSS, depois de a empresa comprar uma fábrica de seu irmão por um preço acima do de mercado.

Renan ainda aguarda o desfecho de outras representações que tramitam no Conselho de Ética do Senado. Uma investiga se o parlamentar teria participado de esquema de corrupção em ministérios comandados pelo PMDB. A outra apura um suposto envolvimento em esquema de espionagem de inimigos políticos. Ambas aguarda a escolha de relatores.

A sexta acusação contra Calheiros ainda não foi enviada ao Conselho de Ética. Ela permanece na mesa diretora do Senado, à espera do andamento dos demais processos. A representação pretende investigar se o senador teria apresentado emendas ao Orçamento Geral da União para favorecer empresas “fantasmas”.

Segundo o regimento do Senado, o presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC), terá cinco dias para convocar novas eleições. Por ser o maior partido, a vaga de presidente deve continuar com o PMDB.

Com informações da Agência Brasil.