Religião, Venezuela e comércio: Ernesto Araújo encontra Pompeo

Estes devem ser os principais temas na pauta do encontro do chanceler brasileiro com o secretário de Estado norte-americano nesta sexta-feira, em Washington

São Paulo — Religião, Venezuela e comércio devem ser três dos principais temas na pauta do encontro do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, com o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo nesta sexta-feira, em Washington.

O Brasil deve ser confirmado como um dos membros fundadores da Aliança Internacional para a Liberdade Religiosa, uma iniciativa que visa combater a “discriminação religiosa” no mundo. Em julho, Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos humanos, foi aos Estados Unidos para uma reunião sobre o tema que contou com representantes de 106 países. A China, país envolvido em uma guerra comercial com os Estados Unidos, não participou.

A Venezuela é tema obrigatório pelo histórico recente da relação entre os países, mas também por uma série de exercícios militares conduzidos por Nicolás Maduro na fronteira com a Colômbia. Ontem, os Estados Unidos invocaram o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, que prevê uma assistência mútua em caso de ataque militar contra seus signatários.

Pompeo disse que a invocação do TIAR é “o reconhecimento da cada vez mais desestabilizadora influência” do governo de Maduro na região. A Organização dos Estados Americanos convocou para a segunda quinzena de setembro uma reunião para abordar a “ameaça à paz e à segurança no continente” representados pela crise na Venezuela.

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Um acordo comercial entre Brasil e EUA, por sua vez, é pauta desde que Trump afirmou em julho, que trabalharia por sua confirmação. A expectativa é fazer um acordo menor e que não inclua redução de impostos, mas com tópicos como diminuição da burocracia, de modo que a pauta possa avançar sem aval do Mercosul, bloco sul-americano.

Um tema que poderia entrar na pauta de discussões é o clima. Tanto Donald Trump quanto Jair Bolsonaro são constantemente criticados por declarações e ações que vão contra políticas de combate ao aquecimento global (Trump saiu do acordo de Paris, inclusive). Em sua chegada aos EUA, na quarta-feira, Araújo afirmou que o “climatismo” ameaça a soberania brasileira e disse que os incêndios na floresta estão “dentro da média”, quando dados mostram que o número de queimadas em agosto foi o pior desde 2010.