Quem seguir nas redes sociais para ficar atualizado com o governo

Decisões e discussões têm sido divulgadas pelas redes sociais, principalmente no Twitter; veja uma lista de personalidades para seguir

São Paulo — Nas primeiras semanas do ano, o governo de Jair Bolsonaro já provou que o papel das redes sociais será determinante para entender as decisões oficiais dos próximos quatro anos.

Em dez dias, o presidente quebrou o protocolo e divulgou pela primeira vez na história do Brasil, a foto oficial de um presidente da República no Instagram e no Twitter.

Antes disso, por decreto, Bolsonaro transferiu a administração das “contas pessoais das mídias do presidente da República” para a Secretaria de Comunicação, como forma de manter os princípios de “legalidade, impessoalidade e moralidade”. 

A decisão causou polêmica entre os brasileiros, uma vez que Bolsonaro não usa suas redes apenas para anunciar medidas do governo.

Ele também tem bloqueado jornalistas e “curtido” perfis fakes — que simulam contas oficiais usando a mesma imagem e trocando apenas uma letra no nome do usuário, por exemplo.

O presidente parece seguir o exemplo do presidente americano Donald Trump, que usa o Twitter intensamente e de quem é admirador confesso.

Para acompanhar as movimentações partidárias e a repercussão dos assuntos do momento, será preciso ficar atento nas redes sociais. Para ajudar a direcionar os leitores, EXAME preparou uma lista de personalidades, confira:

Família Bolsonaro

Assim como o pai, os três filhos mais velhos de Bolsonaro também são bastante ativos nas redes sociais — principalmente no Twitter.

Os três mantêm um padrão de fazer publicações contestando reportagens que saíram na mídia, além de compartilhar conteúdos publicados em páginas que satirizam os veículos de imprensa.

Eles também costumam publicar imagens de agradecimento, sempre que o número de seguidores atinge patamares elevados.

Dentre os três, o deputado federal Eduardo (@BolsonaroSP) é campeão em seguidores, com 1 milhão de contas acompanhando suas postagens.

Entre publicações próprias e compartilhamentos, ele tuíta, em média, 12 vezes no dia, com picos que chegam a 27 tuítes.

Em seguida está o agora senador Flávio (@FlavioBolsonaro), com 904 mil seguidores. Suas publicações são mais espaçadas, com média de seis por dia.

Antes da revelação do relatório do Coaf, em dezembro, das movimentações atípicas do seu ex-assessor Fabrício Queiroz, ele costumava escrever mais na rede social. Agora, há períodos em que ele fica 10 dias sem postar no Twitter.

Apesar de ter sido o administrador das contas de Bolsonaro durante a campanha eleitoral, além de vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos (@CarlosBolsonaro) é o que menos interage com seus 779 mil seguidores. Há uma média de cinco postagens por dia — a maioria retuítando conteúdos de terceiros.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também utiliza a rede social, com o usuário @ASCOMJMB, nome utilizado, normalmente, por assessorias de comunicação. Mas sem fazer publicações diárias, a maior parte de seu conteúdo é compartilhamento do que o presidente eleito publica em seu perfil.

O guru

Sob o usuário @OlavoOpressor, o guru filosófico da família Bolsonaro, Olavo de Carvalo, comenta sobre qualquer assunto que está em alta nas redes sociais.

Ele foi responsável pela indicação de pelo menos dois ministros do novo governo, Ernesto Araújo e Ricardo Veléz Rodriguez, e exerce bastante influência nas opiniões de seus 66,6 mil seguidores.

Equipe

Com o Twitter caminhando para se tornar a rede social oficial de anúncios do novo governo, alguns membros da equipe de Bolsonaro decidiram ingressar na rede social.

O vice-presidente e general aposentado Hamilton Mourão (@GeneralMourao) é um dos mais ativos. Com 202 mil seguidores, ele costuma escrever sobre as decisões da gestão e também compartilha reuniões com autoridades e representantes de entidades.

Dos 22 ministros empossados, nove são ativos no Twitter. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (@onyxlorenzoni), é o que tem o maior número de seguidores, 162 mil. A maior parte de suas publicações são retuítes da página oficial do governo, a @planalto, e do presidente.

Ernesto Araújo (@ernestofaraujo), das Relações Exteriores, reúne 151 mil seguidores. Ele é um dos que faz anúncios oficiais, como a demissão do ex-presidente da Apex, Alex Carreiro, neste semana.

O demitido continuou indo trabalhar alegando que não havia pedido para sair, como disse Araújo, e que sua demissão só poderia ser feita pelo presidente, gerando uma crise no governo.

 

90 mil pessoas acompanham as poucas publicações que Marcos Pontes (@Astro_Pontes), ministro da Ciência e Tecnologia, faz no Twitter. O astronauta costuma divulgar as entrevistas que concede para a imprensa.

Ricardo Vélez Rodriguez (@ricardovelez), chefe do MEC, tem 69,9 mil seguidores. Ativo na rede social, ele publica as decisões de sua gestão, normalmente em terceira pessoa. É provável que sua conta seja administrada por um assessor.

Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (@rsallesmma) é acompanhado por 38 mil pessoas. Ele não usava a rede social desde outubro, mas em 5 de janeiro voltou a fazer publicações.

Na semana passada, uma de suas postagens, sobre o processo de licitação de veículos do Ibama, levou a presidente do instituto a se demitir.

Ainda com a capa de sua vitória como deputada federal, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (@TerezaCrisMS), reúne 33 mil seguidores. Pouco ativa no Twitter, ela costuma compartilhar apenas reuniões pontuais com representantes do exterior.

Outro ministro que utiliza a rede social é o da Cidadania, Osmar Terra (@OsmarTerra). Com 28 mil seguidores, a maior parte de suas poucas postagens envolve críticas em torno da legalização da maconha.

Tarcísio Gomes (@tarcisiogdf), que chefia o Ministério da Infraestrutura, inaugurou o perfil em 28 de dezembro, para “divulgar seu trabalho à frente da pasta”. Com poucas publicações, ele é seguido por 15 mil pessoas.

Com apenas 7 mil seguidores, Marcelo Álvaro Antônio (@Marceloalvaroan), do Turismo, usa a rede social mais para compartilhar publicações do presidente.

Os outros ministros do governo, incluindo Sérgio Moro e Paulo Guedes e Damares Alves, não utilizam o Twitter como fonte de informação oficial.

Mundo político

Com a popularização do Twitter, outras figuras do espectro político também têm lançado mão da ferramenta para compartilhar suas opiniões sobre o país e decisões do novo governo.

Com 559 mil seguidores, o candidato derrotado à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes (@cirogomes), divulga, na maioria das vezes, as entrevistas que concede à imprensa.

Nesta semana, diante da onda de violência que atingiu o Ceará, onde foi governador de 1992 a 1994, ele divulgou uma nota de repúdio a integrantes do MBL, que gravaram vídeos dizendo que os atos são uma manobra manobra petista para desgastar o governo Bolsonaro.

Atual presidente da Câmara dos Deputados, que tenta neste ano a reeleição para o cargo e já garantiu apoio do partido do presidente, Rodrigo Maia (@RodrigoMaia) é pontual em suas publicações. Seguido por 47,6 mil pessoas, ele fala sobre as propostas em andamento na Câmara.

Fernando Haddad (@Haddad_Fernando), que conta com 1,1 milhão de seguidores, adotou um tom mais clássico aos seus tuítes quando era candidato, mas mudou de postura após a derrota, elevando as críticas e ironias ao presidente.

Em mensagem fixada em seu perfil no Twitter, Marina Silva (@MarinaSilva) se apresenta na rede social: “Reitero minha posição de estar na oposição ao governo Bolsonaro de maneira responsável e democrática”.

A ambientalista conta com 1,9 milhão de seguidores e por enquanto tem focado em comentar as decisões do governo federal envolvendo temas do meio ambiente. 

Deputado federal eleito pelo PSOL, Marcelo Freixo (@MarceloFreixo), é uma das figuras de oposição ao governo Bolsonaro que estará no Congresso nos próximos quatro anos e foi apresentado pelo partido como candidato à presidência da Casa.

No Twitter, ele reúne 959 mil seguidores, e faz publicações diárias sobre decisões de seu partido além de comentar as do governo.

O juiz federal Marcelo Bretas (@mcbretas), conhecido por seu trabalho à frente da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, tem 110 mil seguidores. Ele faz publicações comentando sobre o poder judiciário e o trabalho da Lava Jato.

Um cacique político que está no Twitter é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (@FHC). Com 87,5 mil seguidores, ele comenta, em boa parte, o que está em alta nos noticiários.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (@gleisi), usa o Twitter para fazer anúncios sobre decisões do partido e também para comentar sobre a atuação do novo governo. Em sua conta, 482 mil acompanham suas publicações.

Peça chave no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Janaína Paschoal (@JanainaDoBrasil), que agora também é deputada em São Paulo, mostra seu ponto de vista sobre inúmeros assuntos que envolvem política.

Aos 332 mil seguidores, a advogada que foi cotada como possível vice de Bolsonaro costuma falar sobre decisões do sistema judiciário.

O senador Renan Calheiros (@renancalheiros), que pode entrar novamente na disputa pelo comando da Casa, conta com 122 mil seguidores e aborda temas diversos em suas postagens, que vão desde comentários sobre Lula até divulgação de decisões que o Senado debate.

Com 12,7 milhões de seguidores, o apresentador de TV Luciano Huck (@LucianoHuck) aproveita seu alcance para trazer à luz debates sobre política e cultura. Ele havia considerado disputar a Presidência neste ano.