Qual o próximo ministro a cair?

Lucas Amorim

Geddel é o sexto ministro do governo Temer a deixar o cargo num intervalo de seis meses. O primeiro foi Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento e um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff no Congresso, que caiu em maio. Jucá apareceu nas conversas gravadas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, pedindo um “pacto” para “estancar”a Lava-Jato.

Uma semana depois, Fabiano Silveira, ex-ministro da Transparência, caiu ao também ser gravado por Machado sugerindo estratégias de defesa ao presidente do Senado, Renan Calheiros, na Lava-Jato. Em junho, Machado fez a terceira vítima: Henrique Alves pediu demissão do ministério do Turismo ao ser citado como beneficiário de propina. Em setembro, Fábio Medina Osório foi demitido da advocacia-geral da União e acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, de lhe passar orientações para ficar fora da Lava-Jato. Depois, foi a vez de Marcelo Calero pedir demissão da Cultura.

Quem será o próximo? Candidatos não faltam. O titular da Justiça, Alexandre de Moraes, já esteve diversas vezes na berlinda porque o Planalto discorda de sua forma de gestão centralizadora e por polêmicas como a operação Métis da Polícia Federal, que prendeu policias legislativos. Eliseu Padilha, da Casa Civil, é alvto de uma ação de improbidade por ter mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete quando era deputado federado.

Contra o ministro da Educação, Mendonça Filho, há um pedido de investigação em aberto nas mãos do Supremo – ele é suspeito de ter recebido da empreiteira UTC 100.000 reais provenientes de propina. Sarney Filho, do Meio Ambiente, foi relacionado em uma planilha de doações feita também por Sérgio Machado. José Serra, das Relações Exteriores, foi citado nas negociações da empreiteira OAS como receptor de doações ilegais.

Além deles, um grupo de ministros apareceu numa lista de doações da Odebrecht divulgada em fevereiro: Bruno Araújo, das Cidades; Raul Jungman, da Defesa; Osmar Terra, do Desenvolvimento Social e Agrário; Ricardo Barros, da Saúde, além do secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco. Ainda não se sabe quem deles recebeu doações legais ou ilegais. A lista de suspeitos (e de problemas para o governo) pode crescer com a confirmação do acordo de delação da empreiteira, que deve ser finalizado semana que vem e envolver mais de 130 políticos do governo e da oposição.