PSDB: dentro ou fora?

O PSDB define hoje a sua posição num eventual governo de Michel Temer. A definição sobre embarcar ou não é uma crônica do partido. A decisão é importantíssima, mas os tucanos são incapazes de chegar a uma posição em conjunto. Nesta terça, em almoço no Palácio do Jaburu, devem entregar ao vice uma agenda de seus projetos para o país como condição para o apoio.

Como costuma acontecer com os tucanos, cada um tem sua agenda. O senador José Serra é o mais interessado em estar no governo e iniciou por conta própria negociação com os peemedebistas para ocupar algum ministério de peso. O senador Aécio Neves sempre defendeu a cassação da chapa Dilma/Temer e a realização de novas eleições. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, preferia esperar uma definição do cenário político. Mas ambos parecem ter se rendido à união. Todos os três miram, obviamente, as eleições de 2018.

Se de fato abraçarem o PMDB, os tucanos devem ocupar três ministérios. Entre as condições colocadas na mesa pelo partido estão o reforço aos trabalhos da Lava-Jato, o enxugamento da máquina pública e dos ministérios, reformas econômicas e de cunho social. “O PSDB vai ter o cuidado de não ficar conhecido como partido destrutivo. Terá a chance de participar da agenda decisória do país e deve aproveitar a oportunidade”, diz o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice.

O macro está dado. No micro é que estão as dificuldades. Segundo um deputado tucano, há discordância sobre quais medidas de Temer serão apoiadas. Entre elas, um possível aumento de impostos causa controvérsia por ser justamente uma das medidas propostas por Dilma e rechaçadas pelo PSDB. Entre indas e vindas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tratou de unificar o discurso do partido no último domingo ao dizer que a sigla não pode “ficar de braços cruzados” e deve participar do novo governo. A definição deve sair nesta terça-feira.