Processo de beatificação de Odetinha é aberto no Rio

A carioca Odete de Oliveira teria sido autora de curas e intercessões em situações críticas, afirmam fieis

Rio de Janeiro – Cerca de mil pessoas participaram nesta sexta-feira da abertura do processo de beatificação e canonização de Odete Vidal de Oliveira, a Odetinha, que pode se tornar a primeira santa carioca.

A cerimônia de instalação do Tribunal Arquidiocesano foi realizada pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, na Paróquia Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, zona sul do Rio, e contou com a presença do italiano Paolo Vilotta, representante da Congregação para as Causas dos Santos, do Vaticano.

“Nós estamos acostumados a olhar o santo como alguém de muito longe, de outras épocas. Ao iniciarmos essa pesquisa sobre a vida e as virtudes de Odetinha, creio que isso deve suscitar ainda mais em todos nós essa vocação comum, a vocação à santidade”, disse Dom Orani. Relatos de cura e de intercessões em situações críticas são atribuídos a Odetinha, como o de uma mulher que se curou de uma miopia evolutiva que a levaria à cegueira, e o de outra que sobreviveu a uma grave hemorragia após complicações durante o parto.

Devotos da menina fazem peregrinações ao seu túmulo no Cemitério São João Batista, o segundo mais visitado – só perde para o de Carmem Miranda -, e ali deixam placas de mármore e de bronze em reconhecimento às graças a ela atribuídas. Desde dezembro de 2011, uma comissão foi formada para verificar se havia sinais de santidade na vida da jovem, que nasceu em 1930, em Madureira, zona norte do Rio, e morreu aos 9 anos de idade em Botafogo, na zona sul, vítima de meningite e paratifo. Após autorização da Santa Sé, em outubro do ano passado, deu-se início à fase diocesana do processo.

O Tribunal formado nesta sexta será responsável pelo levantamento e análise de material suficiente para comprovar a existência de algum milagre. A equipe é composta por seis especialistas. São peritos e padres que realizam a primeira etapa da pesquisa para o processo. O arcebispo estima que levará de um a dois anos para que as investigações sejam concluídas e encaminhadas a Roma.

Pela manhã, fiéis acompanharam a chegada das relíquias e dos restos mortais de Odetinha, que ficarão em exposição na paróquia até domingo (20). Dentre os presentes estava a aposentada Maria Helena Araújo, de 88 anos, que foi babá de Odetinha durante cinco meses, em 1937. “Era uma menina muito humilde, caridosa, muito religiosa, tinha um coração de ouro. Ela tocava piano para eu escutar.” Amigas de infância da garota, como Maria Cristina de Castelo Branco, de 82 anos, vizinha de Odetinha em Botafogo, e Irmã Maria Cecília, 81, que estudou com ela no Colégio de Sion, também participaram da cerimônia. “Acredito que se Odetinha estivesse viva, ela também seria freira, seria consagrada a Deus”, disse a Irmã.