Pressão de todos os lados

Por volta das 15h30, enquanto o primeiro-vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, comandava uma sessão não deliberativa, um grupo de cerca de 40 pessoas invadiu o local. Com gritos de protestos e dizendo-se “intervencionistas”, os manifestantes subiram ao plenário e não deixaram a sessão continuar. Entre as pautas apresentadas pelo grupo estão o fim dos supersalários, do ensino definido por eles como “ideológico” nas escolas e das mudanças no projeto de lei Dez Medidas Contra a Corrupção. Diversos veículos de imprensa vêm divulgando nos últimos dias que deputados estariam manobrando para diminuir o poder da Lava-Jato por meio de modificações no projeto. Até o fechamento desta nota, não havia sido confirmado o número de manifestantes presos.

A invasão, inusitada, só colocou ainda mais pressão na relação dos governos federal e estaduais com diversos grupos da sociedade. No Rio de Janeiro, que enfrenta forte crise econômica, os servidores públicos protestaram em frente à Assembleia Legislativa, onde começava a ser debatido o projeto anticrise do governo estadual, com medidas como parcelamento de salários, extinção de programas sociais e aumento da contribuição previdenciária. Houve confronto com a polícia e pelo menos uma pessoa ficou ferida.

Mais de 1.000 escolas continuam ocupadas em diversos estados com estudantes secundaristas protestando contra a PEC do Teto de Gastos, que, eles dizem, vai tirar dinheiro da educação, e contra a reforma do ensino médio, proposta apresentada pelo Governo Federal como Medida Provisória.

Sabendo que o que está ruim pode piorar, o presidente Michel Temer se reuniu na semana passada com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para encontrar uma saída e ajudar os estados a pagar pelo menos o 13o salário dos servidores. O medo é que os protestos, que parecem ganhar força gradativamente, tenham uma injeção de combustível com o apoio de funcionários públicos de vários estados em dezembro, mês em que a reforma da Previdência deve ser apresentada e a PEC do Teto votada pela última vez no Congresso. Se a pressão sobre Temer começou pelos movimentos anti-impeachment, agora ela cresceu e alcançou escolas, funcionários públicos e até grupos de direita, que pedem a intervenção militar. O final do ano deve ser agitado.