Presidenciáveis intensificam campanha no Rio

Terceiro maior colégio eleitoral despertou de vez a atenção dos três principais candidatos à presidência da República nos últimos dias

Rio – Terceiro maior colégio eleitoral do País, com 8,5% do eleitorado (12,1 milhões), o Rio de Janeiro despertou de vez a atenção dos três principais candidatos à presidência da República nos últimos dias.

Só entre quarta-feira da semana passada e esta quarta, 17, Marina Silva (PSB) cumpriu seis agendas em território fluminense (todas na capital), Dilma Rousseff (PT), cinco, e Aécio Neves (PSDB), três.

Nessa quinta-feira, 18 e no fim de semana, a previsão é de novos compromissos dos três no Estado, onde Marina lidera as pesquisas de intenção de voto.

Desde que assumiu oficialmente a chapa do PSB à Presidência, em 20 de agosto, Marina foi dos três a que mais vezes cumpriu agendas no Rio: nove, ante oito de Aécio e seis de Dilma. Todos intensificaram os compromissos nos últimos dias.

Dilma, por exemplo, só havia visitado duas vezes o Rio entre o início da campanha e sexta-feira passada, quando, de uma só vez, cumpriu três agendas (uma delas oficial, como presidente), seguidas de mais duas na segunda-feira, 15.

Na mais recente pesquisa a detalhar por Estado as intenções de voto para a presidência, a Datafolha de 10 de setembro, a ambientalista aparece com 36% das intenções de voto no Rio, seguida por Dilma (30%) e Aécio (12%).

No primeiro turno da eleição de 2010, Dilma venceu no Estado com 32,2% do total de votos (que inclui brancos, nulos e abstenções), mas Marina ficou à frente de José Serra (PSDB), que, no quadro nacional, avançou para o segundo turno.

No Rio, a ambientalista teve 23,25% do total; o tucano ficou com 16,62%.

Para o professor da PUC-Rio Cesar Romero Jacob, pesquisador da geografia do voto no Rio e em São Paulo, a intensificação das agendas no Rio se justifica por dois motivos: primeiro, a clara preferência histórica de candidatos pelos três maiores colégios eleitorais (SP, MG e RJ), que concentram 41,5% do eleitorado, mas também pela indefinição na disputa pelo governo estadual.

“As coisas aqui não estão tão definidas, demarcadas quanto em outros Estados onde as candidaturas a governador têm consistência maior”, afirmou.

“Em tese, a eleição no Rio seria um ‘céu de brigadeiro’ para Dilma, que teoricamente tem o apoio dos quatro principais candidatos ao governo”, disse Jacob, em relação a Luiz Fernando Pezão (PMDB), Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB) e Lindbergh Farias (PT).

“Mas, de fato, não é bem assim, porque o Pezão tem o ‘Aezão’ (movimento do PMDB fluminense que pede votos para o tucano) e há sempre a tendência de evangélicos pentecostais votarem no ‘irmão’ mais competitivo, daí uma identificação natural dos eleitores de Garotinho e Crivella com Marina”.

As agendas no Rio têm sido parecidas – por vezes até iguais. No domingo, 14, Aécio foi à Central Única de Favelas (Cufa) para o lançamento de livro; no dia seguinte, lá estava Dilma. Marina fez caminhada na favela da Rocinha, Dilma foi à Maré.

O tucano caminhou pelo “calçadão” de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio; a petista fez desfile em carro aberto no “calçadão” de Alcântara, em São Gonçalo, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, a presidente fez evento para receber apoio da classe cultural; no mesmo dia, Marina fez evento semelhante em São Paulo, mas hoje repetiu a dose no Rio.