Prefeitos pedem ao papa recursos para países pobres

Representantes de importantes capitais brasileiras entregaram carta a Francisco, em que cobram um acordo internacional de ajuda de países ricos a pobres

Belo Horizonte – Sete prefeitos de importantes capitais do País – Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB); São Paulo, Fernando Haddad (PT); Porto Alegre, José Fortunati (licenciado do PDT); Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB); Salvador, ACM Neto (DEM); Curitiba, Gustavo Fruet (PDT); e Goiânia, Paulo Garcia (PT) – entregaram nesta terça-feira, 21, uma carta ao papa Francisco, em que cobram um acordo internacional para proporcionar recursos e tecnologias dos países mais ricos aos mais pobres.

As autoridades participam de seminários no Vaticano sobre o desenvolvimento sustentável das cidades, que reúne prefeitos de todo o mundo.

As autoridades nacionais dizem, na “Declaração dos prefeitos brasileiros”, que a dificuldade de firmar um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticas já traz prejuízos na qualidade de vida das pessoas, em especial dos mais pobres.

E os problemas ambientais aumentam as desigualdades sociais e colocam em riscos os avanços no combate à miséria.

“Globalmente, como estratégia para enfrentar esse cenário desastroso, propomos a transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, em especial aos mais pobres, e diretamente às cidades, visto que os primeiros são os que historicamente mais consomem recursos naturais e contribuem para o agravamento das mudanças climáticas”, afirmam os brasileiros no documento.

Os prefeitos pedem ainda o reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas (ONU), dos governos locais como “atores fundamentais na promoção da sustentabilidade global e do desenvolvimento humano.”

Os políticos afirmam ainda que os 5.570 prefeitos brasileiros estão empreendendo esforços para que os excluídos possam superar a situação de vulnerabilidade, com a adoção de políticas públicas em várias áreas, como educação, saúde, habitação, saneamento, além de medidas que contribuam para a reversão da atual crise climática global.

“Atendendo ao chamado da Encíclica, reconhecemos que o momento é de extrema gravidade e requer a conquista de consciências e uma mudança que não é apenas tecnológica, mas de concepção da forma de viver”, declaram.

O documento foi entregue ao papa nesta terça-feira na ocasião do workshop “Escravidão Moderna e Mudança Climática: O Comprometimento das Cidades”. Na quarta-feira, 22, os prefeitos participam do simpósio “Prosperidade, Pessoas e Planeta: Alcançando o Desenvolvimento Sustentável em Nossas Cidades”.