Porteirogate: quem falou com “Seu Jair”?

A polícia já sabe que o porteiro que anotou no livro o número 58 não é o mesmo que falou com o PM reformado Ronnie Lessa, segundo o jornal O Globo

No mesmo dia em que o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes completou 600 noites sem solução, uma nova ponta solta da investigação veio à tona.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro já sabe que o porteiro que anotou no livro o número 58 não é o mesmo que falou com o PM reformado Ronnie Lessa (dono da casa 65). O áudio foi periciado às pressas pelo Ministério Público e divulgado pelo filho de Jair Bolsonaro, Carlos, na última quinta-feira, um dia depois de a Rede Globo revelar a citação ao presidente nas investigações. A nova informação, desta segunda-feira, é do jornal O Globo.

O porteiro que prestou os dois depoimentos em outubro, e que disse ter falado com “Seu Jair” quando Élcio Queiroz, apontado, junto com Lessa, como assassino de Marielle, está de férias.

O episódio de hoje revela uma divisão entre Ministério Público e Polícia Civil, e reforça as contradições da investigação. Agora, ainda segundo O Globo, os investigadores querem ouvir novamente o porteiro do condomínio Vivendas da Barra para apurar se ele cometeu falso testemunho.

No sábado, vale lembrar, Bolsonaro afirmou ter “pegado” os áudios da portaria “antes que eles fossem adulterados”. Ontem, porém, afirmou que não agiu para obstruir as investigações. “A memória da secretária eletrônica está com a Polícia Civil há muito tempo”, afirmou.

O PT deve apresentar ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, uma notícia-crime contra Bolsonaro por obstrução à Justiça.

Segundo a revista VEJA, Bolsonaro tem outras preocupações no momento: ele estaria decidido a deixar o PSL até o dia 15, quando deve anunciar um novo partido. A manobra mira o fundo partidário e as eleições de 2020. Mais uma vez, o futuro do Brasil não foi protagonista na agenda presidencial desta segunda-feira. Amanhã o grande evento do dia é a reforma do estado, a ser anunciada pela equipe econômica. O protagonista não será Bolsonaro, mas Paulo Guedes.