Além do papa, Argentina leva a melhor em desenvolvimento

A Argentina está entre os 45 países mais desenvolvidos do mundo no ranking de IDH da ONU, enquanto o Brasil fica 40 posições atrás. Por quê?

São Paulo – Eles têm medalha olímpica no futebol, um Oscar e, desde ontem, um papa. Como se isso não bastasse, os vizinhos latino-americanos ainda estão na frente do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, divulgado hoje pela agência.

Com um IDH de 0.811, os argentinos ficam em 45º lugar no ranking de 186 países. O Brasil aparece quarenta posições atrás, em 85º lugar e IDH de 0.730.

EXAME.com separou os principais critérios do relatório da ONU para detectar quais deles fazem o país ficar devendo em relação à Argentina. Uma dica: quase todos.

1) Eles vivem mais tempo

Enquanto a expectativa de vida do brasileiro chega a 73,8, os argentinos vivem quase três anos a mais, já que a média deles é de 76,1 anos.

2) Eles estudam mais

O brasileiro passa em média 7,2 anos em salas de aula. Já uma criança brasileira dando início à sua vida escolar hoje deve estudar por 14,2 anos. Para os argentinos, esses números são 9,3 e 16,1, respectivamente.

3) Eles ganham mais

No Brasil, a renda per capita é de 10.152 dólares. Os argentinos ganham em média 51% a mais: 15.347 dólares.

4) Eles sofrem menos com desigualdade

Os dois países perdem pontos quando se leva em conta a desigualdade social. Mas o Brasil perde mais. Na Argentina, o IDH Ajustado à Desigualdade (IDHAD) é de 0.653, contra 0.531 dos brasileiros. Eles perdem 19,5% na nova pontuação; nós, 27,2%. Por conta da desigualdade, os argentinos acabam caindo oito posições no ranking. Já os brasileiros, doze posições.

5) Eles têm menos desigualdade de gênero

Nesse quesito – que serve como índice complementar e não é considerado pela ONU para medir o IDH – o Brasil até leva a melhor em um ou outro critério, mas não o suficiente pra ficar à frente dos argentinos no ranking de desigualdade de gênero. Eles estão em 71º lugar; nós, em 85º. O número de mortes maternas por 100 mil partos na Argentina é 77. Aqui esse número é menor: 56. Por outro lado, as adolescentes (15 a 19 anos) brasileiras têm mais filhos: 76 por mil mulheres, contra 54,2 por mil. Na política, a representação feminina é muito maior, com 37,7% dos assentos parlamentares ocupados por mulheres, contra apenas 9,6% em Brasília.

Quando se trata de educação, eles também levam a melhor: 57% das mulheres e 54,9% dos homens têm ensino médio completo. No Brasil, só 50,5% das mulheres e 48,5% dos homens podem dizer o mesmo.