Por que “furacão Odebrecht” é só um calafrio para Temer – ainda

Amplitude das acusações e lentidão dos processos (que podem demorar até 5 anos) minimizam efeitos de curto prazo das delações e lista de Fachin

São Paulo – O dia seguinte à divulgação da lista de investigados o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do conteúdo das delações premiadas da Odebrecht foi preenchido pelos espaços vazios do Congresso, que cancelou todas as sessões desta quarta-feira, e pelos apelos de calma feitos pelo presidente Michel Temer — além, é claro, de uma infinitude de negativas vindas de cada investigado.

Para analistas consultados por EXAME.com, esse é o máximo de abalo e apreensão que a delação de 77 executivos Odebrecht deve legar no curto prazo (que fique claro: no curto prazo) para a classe política. A expectativa é que a rotina de Brasília volte à normalidade em breve e o furacão Odebrecht fique só no calafrio — até segunda ordem.

Exceto pela data de divulgação e extensão da lista de envolvidos (não se esperava que todos esses suspeitos fossem investigados de uma só vez), o conteúdo da agora lista de Fachin não trouxe grandes surpresas. A maior parte dos nomes ali citados já havia vazado previamente.

Não se deve negar, contudo, o peso das revelações sobre os bastidores da relação escusa entre Odebrecht e políticos (que não deixa nenhum presidente desde a redemocratização imune).

Segundo os próprios delatores, os crimes que serão investigados na lista de Fachin envolvem pagamentos de mais de 450 milhões de propina a políticos – isso sem contar as acusações ligadas aos suspeitos que foram para outras instâncias.

Mas é exatamente essa amplitude dos crimes e o número de envolvidos que ameniza os efeitos de curto prazo para a política nacional.

“As acusações se estendem pelo sistema político e partidário de um jeito tão extenso que não há nenhum ator com capacidade de mobilizar maioria no Congresso que esteja fora dessa”, afirma Vitor Oliveira, sócio-diretor da consultoria Pulso Público.

Em outros termos: com (quase) todos os políticos no mesmo barco, dificilmente alguém teria força para se levantar como contraponto seja pedindo a imediata cassação/afastamento dos envolvidos ou mudanças mais radicais no sistema político.

A mesma lógica vale para o governo de Michel Temer. No total, oito ministros serão investigados sob o escrutínio do STF. Entre eles, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Para estancar uma debandada em sua equipe ministerial (e, por consequência, em sua base), a estratégia de Temer, por ora, é se apoiar no método que vem sido chamado de “Protocolo Temer”: demissão só se o ministro virar réu.

Por mais que se questione se esse protocolo permanecerá de pé diante de eventuais acusações graves, a tendência é que o governo se esforce para segui-lo à risca sob a pena de uma onda de fragilização dentro da própria base.

“Se um ministro cai, o próprio Temer não conseguiria segurar outros. Seria uma bola de neve”, diz Thiago Vidal, consultor político da consultoria Prospectiva.

A derrubada de um ministro mexeria no principal capital do governo atualmente: cargos em troca de apoio. “Os ministros estão no governo por causa dos partidos. Se um cair, a tendência é que esses partidos retirem seu apoio”, diz Vidal.

E apoio no Congresso é tudo o que Temer – dono de uma agenda (urgente) de reformas — precisa nesse momento.

“A lógica funciona da seguinte forma: quanto maior for a crise no plano político, maior o senso de urgência sobre os partidos e líderes do governo para a aprovação das reformas econômicas”, diz Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Em um contexto ameaçador como esse, a tendência é que o preço do apoio dos partidos para o governo aumente.

“Todo partido precisa de três coisas: política pública, cargos/recursos do governo e voto. O Temer não tem o bônus eleitoral que Lula tinha, então, ele vai ter que compensar ainda mais com outras coisas”, afirma Oliveira, da Pulso Público.

2018

Não se pode prever, contudo, a mesma “calmaria” ou manutenção do status quo para o médio e longo prazo. Para os analistas ouvidos por EXAME.com, a “delação do fim do mundo” embaralha ainda mais qualquer previsão apressada sobre o cenário para as eleições de 2018.

Para ficar só em alguns exemplos, a lista de acusações não só piora o inferno astral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já é réu em cinco ações penais, como também complica os planos do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e atrapalha as intenções do governo do PMDB – apesar de não ser investigado por uma questão de imunidade temporária, pesa contra Temer a suspeita de negociar um acordo de 40 milhões de dólares para a campanha de 2010.

Vale lembrar que a decisão de Fachin para investigar toda essa multidão de políticos é apenas o início do jogo. A estimativa do projeto Supremo em Números, da FGV Direito Rio, é que o processo contra essas autoridades demore até 5 anos para ser finalizado.

Muita coisa pode acontecer até lá – uma delas são as urnas em outubro de 2018. Do lado dos políticos, provavelmente, a intenção será manter o foro privilegiado. A questão é como cada cidadão vai responder a isso.

*Colaboração: Valéria Bretas

 

Comentários

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  1. Andre Freire

    Fora Temer! Já vai tarde…

  2. Hans Fernando

    A aprovação popular ao governo Temer está cada vez menor, governos fortes são aqueles que conquistam a opinião popular e lutam a causa do povo e não de minorias que controlam o poder…isso vai minando as forças econômicas e deixam investidores ainda com mais receio de colocar dinheiro aqui no país, A economia está sofrendo com a crise externa sim, mas com a má administração vinda de governos passados e atual no Brasil, temos problemas crônicos de ajustes de pagamentos de dívida que encarece nossa energia por exemplo e por ai vai…
    o que nós podemos fazer? por muito tempo eu reclamei… e depois de um tempo percebi que podemos achar outra alternativas…
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  3. O problema quanto as reformas é que o Temer já deveria tomar a atitude de fazer ver à todos que as mesmas são extremamente necessárias devido ao enorme rombo criado com toda esta corrupção dos governos lulopetistas, do qual era apenas um passageiro incômodo por nunca ter sido desejado pelos larápios, era apenas tolerado pelo tempo de televisão do PMDB… esta omissão é igual à dos tucanos quando do Mensalão… ficaram de “salto alto”, se negando à “chutar o cachorro morto” que era o Molusco, então. Graças à esta atitude indigna é que tivemos a extensão do assalto ao país pelo demiurgo mentiroso e ainda, para piorar, o DESgoverno da Anta… que se amotinou contra o “chefe”, causando toda esta crise econômica e social.
    Em última análise… a culpa original (não dos roubos, mas de sua duração) é dos tucanos.
    O Temer tem que começar à colocar o dedo na ferida e apontar os responsáveis pela quebra do país… Lula e seus inúmeros cúmplices.