Por que Alckmin não consegue decolar em São Paulo?

Alckmin era aprovado por 36% dos paulistas, mas tem metade disso em intenções de voto no estado

São Paulo – Em abril, Geraldo Alckmin (PSDB) deixou o cargo de governador de São Paulo com uma gestão avaliada como boa ou ótima por 36% dos paulistas, de acordo com o Datafolha.

Mas essa aprovação não se traduziu, pelo menos por enquanto, em uma situação confortável na corrida presidencial no estado que governou em quatro mandatos.

De acordo com uma pesquisa Ibope divulgada na última segunda-feira (10), o líder no estado de São Paulo é Jair Bolsonaro (PSL), com 23% das intenções de voto para presidente.

Alckmin está em segundo lugar e crescendo: desde a última pesquisa, em 20 de agosto, ele foi de 15% para 18%. Mas o movimento está dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais, e representa metade do seu nível de aprovação.

Christopher Garman, cientista político e diretor para as Américas da consultoria Eurasia, diz que não se pode olhar estes números isoladamente, porque na pesquisa de aprovação, não há comparação.

“Pode ter aí um eleitorado que tem uma aprovação leve do governador, mas está inquieto e insatisfeito. Quando apresentado a uma opção que representa uma mudança com tudo que está na política brasileira, como no caso do Bolsonaro, isso acaba tendo um apelo”, diz Garman.

Sérgio Praça, professor da FGV e colunista de EXAME, destaca que Bolsonaro começou sua campanha mais cedo, mas a esse ponto já não dá para dizer que há amplo desconhecimento de que Alckmin é candidato.

A questão chave seria mesmo a migração de votos históricos do PMDB e do PSDB para outras alternativas mais identificadas com a revolta política. Ao vetor esquerda e direita, tem se somado a diferenciação entre establishment e anti-establishment, e São Paulo não é exceção.

“Para quem está na capital não é tão claro, mas o estado é bem conservador e o Bolsonaro personifica isso, com a vantagem de não ter um partido tão corrupto. Ele junta honestidade, ou a aparência de honestidade, com segurança e autoridade, o que o PSDB significava até pouco tempo atrás”, diz Praça.

Alckmin sabe que sua melhor alternativa é roubar votos que foram para Bolsonaro, especialmente no Sul e no Sudeste.

Alguns sinais dessa estratégia foram a escolha da vice Ana Amélia, senadora pelo Rio Grande do Sul, e posições como a defesa de relaxamento das regras para o porte de arma em áreas rurais.

O que não faltam são recursos para tentar vender a mudança: Alckmin conseguiu atrair o cobiçado “centrão” e tem oito partidos aliados ao PSDB na sua coligação (PRB, PP, PTB, PR, PPS, DEM, PSD e Solidariedade).

Thiago Vidal, analista da consultoria Prospectiva, diz que no fundo, a eleição brasileira acontece em nível municipal.

Por isso, conta muito ter máquinas partidárias fortes e capilaridade regional, que permitem usar prefeitos alinhados para vender sua mensagem em lugares mais isolados.

Isso sem falar em tempo de televisão e rádio. Como ele é dividido com base nos tamanhos atuais das bancadas no Congresso, Alckmin garantiu praticamente metade do horário eleitoral para si. Mas há quem aponte que tempo de televisão não é mais a vantagem inequívoca que foi no passado:

“Vai ter tempo para expor, mas vai ter muita coisa reinterpretada pelas redes sociais. A televisão está gerando insumos para uma produção em massa de memes que pode ir contra o próprio candidato”, diz Marco Aurelio Ruediger, diretor do FGV DAPP, que monitora os debates virtuais em tempo real.

De qualquer forma, as circunstâncias se complicaram para Alckmin com os últimos acontecimentos:

“A chance do Alckmin depende muito da capacidade de desconstrução do Bolsonaro, e essa tarefa ficou mais difícil com o atentado, que inibiu uma campanha negativa por pelo menos uma semana. Ele perdeu um tempo valioso”, diz Garman.

Nas pesquisas nacionais, Alckmin tem 9% no Ibope e 10% no Datafolha – abaixo numericamente, mas dentro da margem de erro, com Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Mas os analistas seguem apontando um alto potencial de crescimento de Fernando Haddad (PT), oficializado candidato nesta semana, diante da transferência de votos de Lula.

Comentários

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  1. Este jeitinho de bonzinho e fala mansa não tá convencendo mais ninguém, seu narizinho de Pinóquio já está bem grandinho, sem contar seu partido que está bem sininho!! Não sou politizado, tá difícil escolher um!!

  2. Ops!! O partido tá bem sujinho !!

  3. news da hora

    Os partidos no Brasil estão todos sujos . Em todas as agremiações tem corruptos . O PT/PMDB e suas parcerias mais Lula e os petralhas foram os que mais desviaram bilhões .

  4. news da hora

    Alckmin se está concorrendo é porque tem a ficha limpa , bem diferente do Lula e cias . O que ele precisa fazer urgente é esquecer o Bolsonaro e mostrar que ele é capaz e diferente dos petralhas e do Lula .

  5. news da hora

    O Bolsonaro já está no segundo turno ! Já o Alckmin precisa ser mais agressivo com o PT , Dilma , Lula , Haddad e seus puxa sacos .

  6. news da hora

    Alckmin precisa mostrar que é competente , tem projetos , mas que é anti petralhas . Só assim os votos chegaram naturalmente e ele irá para o segundo turno com o Bolsonaro .

  7. Nasci e sempre morei em São Paulo – Capital, sou do tempo que tinha colégios do estado que vc precisava fazer vestibulinho para entrar porque era melhor que muitos colégios particulares e era referência para outros estados, o que o Alkmin fez nestes anos que ele governou, basta ver este último IDEB. Agora se vendeu para o centrão das raposas velhas da politica, já votei nele não voto mais !!

  8. Marcia Candido

    Alckmin já foi 4 vezes governador de São Paulo, foi testado e aprovado muitas vezes.

  9. Ghdoido Doido

    Vai vc e o porra dessa Alckmin tudo se foder, cadê as merendas das escolas estaduais, fora as falhas na porra do metrô e CPTM, esse arrombado acabou com São Paulo, principalmente na educação

  10. Osmar Serrragem

    Por quê se revelou um oportunista, a procura do discurso, fosse qual fosse, que melhor cativasse votos. Deve vestir as sandalias da humildade e se aposentar.