Polícia Civil do Rio anuncia delegacia móvel na orla

Delegacia móvel deverá incentivar registros de roubos e furtos na areia, fundamentais para o trabalho de identificação de ladrões

Rio – Após mais um dia de arrastões em praias da zona sul do Rio, nesta quarta-feira, 20, feriado do Dia da Consciência Negra, a Polícia Civil anunciou nesta quinta-feira, 21, que no fim de semana funcionará na orla da região uma delegacia móvel para incentivar registros de roubos e furtos na areia, fundamentais para o trabalho de identificação de ladrões.

Também nesta quinta-feira, a Polícia Militar (PM) anunciou que, além de PMs fardados, o policiamento nas praias será reforçado com agentes à paisana. Eles ficarão misturados aos banhistas na areia a fim de realizar prisões de assaltantes em flagrante, durante os arrastões.

O local onde o ônibus da delegacia móvel da Polícia Civil ficará estacionado no fim de semana será decidido nesta sexta-feira, 22. Também será montado na orla um trailer do Instituto Félix Pacheco (IFP) para identificação de suspeitos de envolvimento nos ataques aos banhistas.

Nesta quarta-feira, feriado de sol forte que lotou a orla da capital fluminense, a PM deteve sete suspeitos de envolvimento nos arrastões que levaram pânico às Praias do Arpoador e do Leblon. A Polícia Civil descobriu que a maior parte dos detidos é de moradores das Favelas do Jacarezinho e do Mandela, na zona norte, que possuem Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) desde janeiro.

Dos detidos, quatro eram menores – dois deles têm apenas 10 anos. Eles foram flagrados furtando dois banhistas. Após serem levados à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), as crianças foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Como são menores de 12 anos, elas são inimputáveis (não podem, judicialmente, sofrer punição). Já o suspeito Marco Paulo Silva Almeida, de 19 anos, foi preso acusado de furto qualificado. Renan de Souza Augustinho e Deilom de Oliveira Ribeiro, os dois de 18 anos, foram acusados de furto.

Policiamento reforçado

O policiamento foi reforçado nesta quinta no Arpoador. Além de duas viaturas da PM, havia policiais em quadriciclos e bicicletas. Um helicóptero da corporação sobrevoava a região. Também havia guardas municipais na praia.


O tenente-coronel Luiz Otávio Lopes, comandante do 23º Batalhão da PM (BPM), responsável pelo policiamento da orla do Arpoador, Ipanema e Leblon, disse hoje que, desde o feriado de sexta-feira, 15, Dia da Proclamação da República, quando houve o primeiro arrastão no Arpoador, 180 homens fazem o patrulhamento das praias.

“Por mais que nos esforcemos, segurança pública sempre pode melhorar. A partir de agora, vamos colocar policiais à paisana na areia para facilitar a prisão de ladrões.”

Banhistas afirmam que os assaltos têm horário marcado para começar. “É sempre por volta das 14 horas, quando a praia já está lotada. Aí, um grupo de moleques simula uma briga e começa a correr. As pessoas entram em pânico e saem correndo, deixando tudo para trás. É nessa hora que começa o arrastão”, afirmou o engenheiro João Pires, de 60 anos, que passeava de bicicleta no calçadão do Arpoador.

Há 30 anos morando em Paris, a carioca Nícia Antoine, de 67 anos, sempre passa férias no Rio e teve o cordão de ouro roubado no calçadão do Arpoador na sexta-feira, dia do primeiro arrastão na praia.

“Foi um prejuízo incalculável porque o cordão era de família. Deviam instalar câmeras de segurança. Se para mim, que sou nascida aqui, foi desagradável ser assaltada na praia, imagina para os estrangeiros?”

Por causa dos últimos arrastões, barraqueiros que trabalham no Arpoador suspenderam a venda de bebidas e aluguel de abrigos e cadeiras pelo sistema de comandas.

“Agora é tudo à vista. Na hora da confusão, sai todo mundo correndo sem pagar. Já perdi oito cadeiras. Cada uma custou 60 reais”, reclamou a barraqueira Lídia de Carvalho Cruz, mais conhecida como Fia, de 54 anos.