Poços de Haddad podem garantir água para 8 mil

Em meio à maior estiagem da história, a gestão Fernando Haddad quer buscar cerca de 57,6 milhões de litros de água por mês a até 250 metros abaixo do solo

São Paulo – A Prefeitura de São Paulo abriu licitação para construir 32 poços artesianos, um em cada subprefeitura da cidade.

Em meio à maior estiagem da história, a gestão Fernando Haddad (PT) quer buscar cerca de 57,6 milhões de litros de água por mês a até 250 metros abaixo do solo.

O volume extra previsto para ser captado é suficiente para abastecer pelo menos 249 pessoas por dia – como pacientes de hospitais e crianças que passam o dia em creches.

A reserva subterrânea na Grande São Paulo chega a 100 bilhões de metros cúbicos por ano.

Cada poço tem a previsão média de fornecer 3 metros cúbicos (3 mil litros) por hora, com funcionamento de até 20 horas por dia – ao todo, o volume pode ser suficiente para garantir água para 8 mil pessoas por mês.

O governo também vai contratar geólogos especializados para controlar a operação de cada um deles.

“Em virtude da recente restrição d’’água, devido a drástica redução dos níveis disponíveis pelos reservatórios do Sistema Cantareira, o objetivo desta contratação é fornecer, inicialmente, para a Prefeitura de São Paulo, em cada uma de suas subprefeituras, uma alternativa estratégica de fornecimento de água, de forma a garantir o suprimento de água mesmo em condições de estiagens, eventuais rodízios e até mesmo racionamentos”, informou a gestão do prefeito Fernando Haddad sobre o objetivo da contratação.

O plano da Prefeitura para a construção de poços foi antecipado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo no dia 23 de setembro.

Com a possibilidade de um racionamento, a reserva dos poços será utilizada para casos emergenciais e abastecimento de prontos-socorros, creches e asilos municipais.

O volume que será captado, porém, é muito pequeno e equivale, por exemplo, a duas vezes ao que é consumido por mês no Edifício Matarazzo, a sede da Prefeitura no centro da capital.

O consumo mensal com água do edifício em 2013 foi de 847 metros cúbicos. Ou seja, a quantidade prevista nos 32 poços daria para abastecer duas vezes a prefeitura.

“A expectativa de vazão para cada poço é que venha a atingir pelo menos 3 metros cúbicos /h cada unidade”.

Segundo o edital, “poderiam ser bombeados num período de 18 a 20 horas por dia” e “deveria haver uma produção de 1.800 metros cúbicos d’água mensal por poço”.

A licitação da Prefeitura para a construção dos poços, publicada hoje na internet, alerta para o controle na captação de águas na região de Jurubatuba, na zona sul, onde um parque industrial que funcionou até a década de 1950 deixou passivo de contaminação ambiental no solo.

“Os níveis de contaminação de águas subterrâneas na proximidade do aterro sanitário de Jurubatuba e do trecho contíguo do Rio Pinheiros obrigaram o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) a restringir e a controlar a captação e utilização destas águas dentro de um perímetro de 101 km, contendo áreas com baixa, média e alta restrição, devidamente mapeadas”, alerta o governo.