Plugin revela os políticos que estão pagando o Facebook para alcançar você

Nestas eleições, os candidatos vão conseguir distribuir conteúdos feitos sob medida para conquistar seu voto - mas essa ferramenta delata tais intenções

São Paulo – A minirreforma eleitoral, aprovada no Congresso no ano passado, autorizou candidatos a um cargo eletivo a impulsionar suas publicações em redes sociais como o Facebook. Isso significa que, por uma quantia razoável, políticos se seus partidos poderão, a partir das eleições de 2018, segmentar a distribuição de suas postagens para grupos específicos de pessoas.

Ou seja, é provável que uma parte considerável dos posts de candidatos que irão aparecer em sua timeline tenham sido elaborados sob medida para pessoas exatamente com o seu perfil. Sim, isso mesmo. Apesar do tempo de TV ainda ser relevante para as campanhas eleitorais no Brasil, a expectativa para o pleito deste ano é que os aspirantes a um cargo eletivo lancem mão de estratégias cada vez mais segmentadas.

Mas é possível saber as motivações de cada político para impulsionar determinado conteúdo para você. Por ora, o Facebook já mostra os critérios de cada página para segmentar publicações. Basta clicar com o botão direito na frase “Por que estou vendo isso” e aparecerão os motivos do autor da postagem para que aquele conteúdo chegasse até você.

O InternetLab, um centro independente de pesquisas sobre direito e tecnologia, lançou há alguns dias uma ferramenta que consolida todos esses dados e mostra, em detalhes, quais os candidatos e partidos que estão mirando você (e seu voto).

O Você na Mira é uma extensão (plugin) para o navegador Google Chrome, que coleta todas os anúncios que você recebe na timeline do Facebook e cataloga aqueles enviados por partidos políticos, candidatos e movimentos sociais relevantes para as eleições 2018.

Além de dar transparência às narrativas usadas pelas campanhas eleitorais para alcançar grupos específicos de eleitores, os dados coletados serão usados para o desenvolvimento de relatórios e pesquisas durante a disputa eleitoral deste ano no Brasil.

A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a organização WhoTargets.Me, que desenvolve tecnologias para monitorar o microdirecionamento de propaganda política no Facebook. O plugin já foi usado nas eleições da Alemanha, desde o pleito que levou ao Brexit, na Inglaterra, e mais recentemente durante na corrida eleitoral irlandesa.

Na eleição alemã de 2017, por exemplo, os pesquisadores constataram que as páginas ligadas ao partido de extrema direita AfD (Alternativa para Alemanha) miraram, entre outros perfis, usuários do Facebook que curtiram a página da premier germânica Angela Merkel na rede social.

Para esse grupo foram direcionados conteúdos sobre o fim dos direitos para famílias de refugiados  – uma das principais bandeiras para a legenda que conquistou 12,9% das cadeiras do Parlamento alemão no ano passado, em uma derrota para Merkel.

Por outro lado, para pessoas que curtiram páginas ligadas à corrente econômica liberal, o partido impulsionou posts que exploravam o custo de cada refugiado para o contribuinte e conteúdos em defesa do fim do euro e retorno do marco alemão (moeda que vigorou no país até 2002).

“Na campanha tradicional de TV, a mesma mensagem ia para todos os eleitores. Hoje, não. São mensagens diferentes para grupos diferentes. É cada vez mais customizado. A ferramenta serve para a conscientização das pessoas de que suas informações pessoais estão sendo usadas para a propaganda política”, afirma Francisco Brito Cruz, diretor de Internetlab e um dos responsáveis pelo projeto.

Como usar

Basta acessar a página do plugin no Google Chrome, clicar em “usar no Chrome” e responder algumas perguntas básicas sobre seu perfil, como idade, país de origem e visão política.  Automaticamente, a ferramenta vai coletar informações sobre os anúncios que transitam no seu Facebook e, em alguns dias, criará os primeiros relatórios sobre essas atividades. O plugin só funciona pra o Facebook web. Ou seja, se você só usa o app do Facebook em seu celular, não será possível fazer o monitoramento.