Planalto se divide sobre momento para indicar substituto de Teori

Moreira Franco afirma que decisão de Temer será tomada com calma e serenidade; auxiliares pressionam para evitar ruídos na Lava Jato

Brasília – Após a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, o Palácio do Planalto se divide sobre o “momento ideal” para indicar o substituto do magistrado. Auxiliares temem que a decisão seja vista como interferência nas investigações da Operação Lava Jato.

Interlocutores do presidente Michel Temer (PMDB) afirmaram a EXAME.com que alguns auxiliares defendem que a indicação do novo ministro do Supremo ocorra “o mais rápido possível para reforçar o compromisso do governo com o andamento das investigações”. Há a preocupação de que a repentina morte do magistrado atrase a homologação dos depoimentos dos executivos da Odebrecht.

Por outro lado, alguns auxiliares do Planalto defendem que o peemedebista espere para bater o martelo sobre o substituto de Teori. “O presidente deve escutar juristas do seu entorno antes de tomar qualquer decisão”, disse uma fonte próxima a Temer.

O que mais dizem os auxiliares de Temer que acreditam que a melhor alternativa é esperar? Para eles, o “timing adequado” para a indicação é aguardar a eleição da presidência do Senado e a definição dos membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Casa. A comissão será responsável por sabatinar o novo magistrado.

“Uma das alternativas para atribuir isenção a escolha de Temer é que ele aguarde a definição do STF sobre como serão redistribuídos os processos da Lava Jato, dos quais Teori era o relator”, disse um interlocutor do presidente.

A EXAME.com, o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) Moreira Franco, que teria afirmado inicialmente que a decisão deveria ocorrer “o mais rápido possível”,  disse que o presidente tomará a decisão com “a calma e a serenidade que lhe são características“.

“Entendemos a necessidade de uma nomeação rápida diante da importância do trabalho desempenhado por Teori. Mas tudo deve ser feito com calma”, afirmou Moreira.

Ao desembarcar em Brasília na noite desta quinta-feira (19), a presidente do STF, Cármem Lúcia, disse que ainda não estudou como será a redistribuição dos processos que estavam com Teori. “Não estudei nada por enquanto. A minha dor é humana, como eu tenho certeza que a dor de todo brasileiro por perder um juiz como esse”, afirmou.

A interlocutores, Cármem Lúcia disse que, antes de tomar qualquer decisão sobre quem será o novo relator dos processos da Lava Jato no Supremo, conversará com os demais magistrados, com ex-colegas da Corte e com assessores.