PF deflagra operação contra comércio ilegal de ouro da Amazônia

Estão sendo cumpridos 48 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva, um de prisão temporária e dez medidas de prisão preventiva

A Polícia Federal deflagrou hoje (27) uma operação para apurar indícios de comércio ilegal de ouro e a concessão de benefícios fiscais irregulares a empresas que atuam na Zona Franca de Manaus, no Amazonas, além de crimes contra o meio ambiente, lavagem de dinheiro, contrabando, falsidade ideológica e organização criminosa.

A Operação Elemento 79, em alusão ao número atômico do ouro, ocorre simultaneamente nos estados de Roraima, Rondônia, Minas Gerais e São Paulo, além do Amazonas. Estão sendo cumpridos 48 mandados de busca e apreensão, quatro de prisão preventiva, um de prisão temporária e dez medidas substitutivas de prisão preventiva.

Em Manaus (AM), logo nas primeiras horas da manhã, agentes federais detiveram o representante de uma empresa com sede em Belo Horizonte (MG). Por telefone, um dos sócios da Ciala da Amazônia Refinadora de Metais, Gilberto Silva, disse à Agência Brasil que a residência e seu escritório, foram alvo de buscas e apreensões, na capital mineira.

O dono da refinadora disse que ainda está se informando sobre o objetivo da investigação e das suspeitas contra sua empresa, para tomar as providências legais.

De acordo com a PF, o esquema criminoso, investigado pela Polícia Federal e pela Receita Federal desde junho de 2016, pode ter causado prejuízo de pelo menos R$ 30 milhões de reais aos cofres públicos, podendo ser considerado “um mais dos sofisticados já investigados no setor de comercialização de ouro do país”.

As investigações apontam que a organização se valia de complexa estrutura empresarial para simular a compra e venda do ouro obtido ilegalmente. Segundo a PF, os suspeitos compravam e vendiam ouro extraído de garimpos ilegais do Amazonas. Para mascarar as ilicitudes, as empresas envolvidas costumavam enviar umas às outras remessas de prata como se fosse ouro. O estoque fictício era usado para mascarar a procedência de grandes quantias de ouro ilegal movimentadas posteriormente.

Além de analisar a movimentação fiscal de mercadorias entre as empresas suspeitas de integrar o esquema, os fiscais da Receita e policiais federais inspecionaram as operações mercantis, as demonstrações contábeis obrigatórias e interceptaram mercadorias irregulares, antes de concluir que os envolvidos praticaram diversos crimes envolvendo a comercialização e produção de ouro na Zona Franca de Manaus.

A PF informou que as provas reunidas durante a investigação indicam a comercialização de ouro procedente de regiões com alta incidência de garimpos ilegais.