PF conclui que boato sobre Bolsa Família não foi orquestrado

Falsa informação gerou correria de beneficiários aos bancos em maio. Alguns governistas chegaram a culpar a oposição pelo episódio

São Paulo – A Polícia Federal concluiu o inquérito que investigava a origem dos boatos sobre o fim do Bolsa Família, em maio. Na ocasião, beneficiários do programa promoveram uma corrida às agência da Caixa Econômica. Membros dos Governo Federal chegaram a culpar a oposição. O relatório final das investigações foi encaminhado hoje ao Juizado Especial Criminal do Distrito Federal. 

De acordo com nota divulgada no site da Polícia Federal, a ação não teria sido orquestrada – como se imaginava à época. “O boato foi espontâneo não havendo como afirmar que apenas uma pessoa ou grupo tenha causado os boatos envolvendo o Programa Bolsa Família”, afirma o texto. Em função disso, a investigação terminou sem que ninguém fosse incriminado pela disseminação das falsas informações.

Desde maio, mais de 60 gerentes da Caixa Econômica Federal e cerca de 180 beneficiários do Bolsa Família em 11 estados foram entrevistados pela Polícia Federal. O órgão descobriu que um aumento anormal no volume de saques foi registrado nas primeiras horas do dia 18 de maio nas cidades de Ipu (CE) e Cajazeiras (PB). 

Na última cidade, a filha de uma beneficiária mencionou no Facebook um saque antecipado realizado por sua mãe naquele dia. Esse foi o primeiro registro da informação na internet. A partir das 11h, o aumento no número de saques do dinheiro do Bolsa Família se repetiu em várias outras cidades – dando origem à toda confusão. 

Entre os motivos alegados pelos beneficiários para a corrida aos bancos, estavam boatos sobre uma suposta antecipação do pagamento e outras razões – como o possível envio de um dinheiro extra pela proximidade do Dia das Mães e a falsa notícia do cancelamento.

Após a onda de boatos, a Caixa desistiu de promover uma campanha que comemoraria os 10 anos do programa.  O presidente do banco chegou a ser convocado por senadores para dar explicações no Congresso sobre a confusão e possíveis medidas preventivas.