Pezão indica que intervenção marca fim de sua carreira política

Em entrevista no Palácio do Planalto, ele disse que cumprirá formalmente até dezembro seu mandato

Brasília – O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), sinalizou que a intervenção federal na segurança pública do Estado marca o fim de sua carreira política e a trajetória de seu grupo. Em entrevista no Palácio do Planalto, ele disse que cumprirá formalmente até dezembro seu mandato.

“Estou saindo. Eu já saí. Não disputo mais nada. Vou terminar meu mandato de cabeça erguida”, afirmou, numa resposta a uma pergunta sobre a consequência para ele e seu grupo da decisão do governo federal de assumir o comando das forças estaduais.

Além de falar abertamente sobre seu revés na política, Pezão refutou a tese de que a corrupção, que levou boa parte de seu grupo para a cadeia, em especial o padrinho e ex-governador Sérgio Cabral, tenha impactado no aumento da crise da segurança pública.

“Tivemos uma queda de receita de 26%, o que não é trivial”, disse. “Não sou culpado de chegar em abril com o barril de petróleo a 115 dólares, governar um ano e dois meses a 28 e mais um ano a 32 dólares”, completou. “O Rio tem dependência forte do petróleo. Uma tempestade perfeita. Somos o segundo polo automotivo, e o setor parou, somos um grande polo siderúrgico, e a siderurgia parou, e a Petrobras, que é o carro-chefe do Rio, (parou). A gente penou.”

Diante da insistência sobre o peso da corrupção no atual cenário de caos na segurança pública, Pezão disse que tem a “consciência tranquila”. “(A corrupção) Está sendo apurada e investigada como nunca. Se tem um lugar que está apurando é no Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

Resistência

Sem esconder o abatimento, o governador disse que não fez “resistência” à decisão do governo de intervir na segurança pública estadual. Ele relatou que, a princípio, solicitou que a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que hoje vigora no Rio de Janeiro fosse ampliada.

A GLO é uma operação militar conduzida pelas Forças Armadas de forma episódica, sem intervenções nos comandos das polícias Civil e Militar. Esse tipo de operação é permitida pela Constituição quando agentes de perturbação da ordem colocam em risco a integridade da população e o funcionamento das instituições.

“Eu estava pedindo que tivesse uma presença mais forte das Forças Armadas. A gente precisa. E a diferença é que eles pediram que se fosse uma GLO ampliada, eles precisavam ter o comando da área da segurança pública no seu total. Por isso que saiu da GLO ampliada para a intervenção.”

Por fim, Pezão tentou minimizar a necessidade de uma intervenção federal em seu Estado. “Não nos diminui em nada. Não me sinto desconfortável. A intervenção é algo que está sendo discutido há muito tempo. Não foi algo que começou a ser discutido por nós ontem às 5 horas e terminou hoje de manhã.”