Pela primeira vez, mulheres vão às ruas contra uma candidatura

Organização dos atos partiu do grupo no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, após a campanha #EleNão repercutir nas redes sociais

Manifestantes contrários à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República irão às ruas em várias cidades do Brasil neste sábado. A organização dos atos partiu do grupo no Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, após a campanha #EleNão repercutir nas redes sociais.

Estão previstas manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras 28 cidades do país. Em resposta, o núcleo paulista do PSL convocou, para o domingo, um ato de apoio ao presidenciável, informou o UOL.

De acordo com a pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, Bolsonaro lidera a corrida eleitoral com 28% das intenções de voto —35% entre os homens e 21% entre mulheres. Apesar de seu apoio entre as mulheres ser menor, é o mais alto entre os candidatos, empatado com Fernando Haddad, que também é escolhido por 21% das mulheres. No entanto, Bolsonaro também é o candidato com maior índice de rejeição, 46%. Entre as mulheres, a taxa sobe para 54%, também a mais alta.

Segundo o cientista político da UFRJ, Jairo Nicolau, e o diretor do instituto de pesquisas Locomotiva, Renato Meirelles, não há registros na história recente do Brasil de uma mobilização destas proporções contra um candidato específico.

“Claro que algumas candidaturas, como a do Collor, em 1989, geraram uma rejeição muito grande em setores da sociedade civil, mas essa rejeição não se tornou um movimento ‘anti’”, afirma Nicolau. Para o pesquisador, os movimentos feministas, que vêm ganhando destaque no debate público nos últimos anos, souberam politizar essa rejeição e se organizar principalmente pelas redes sociais para ir às ruas.

Nas últimas semanas, enquanto Bolsonaro subia nas pesquisas, a campanha #EleNão ganhou apoio de celebridades, como as atrizes Camila Pitanga e Monica Iozzi e as cantoras Anitta e Daniela Mercury. Segundo a Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP), da FVG, entre o dia 12 de setembro e a última segunda-feira, as hashtags da mobilização contra Bolsonaro (#elenão, #elenunca, #elejamais) mobilizaram cerca de 1,2 milhão de postagens no Twitter. A campanha #elesim gerou cerca de 283 mil tuítes.

Para Meirelles, do Locomotiva, pautas como igualdade salarial entre homens e mulheres, combate à violência de gênero e o fortalecimento de lares comandados pelas 14,4 milhões de mães solteiras no Brasil, serão essenciais para a definição do voto das 67 milhões de eleitoras brasileiras.

Durante a campanha, Bolsonaro protagonizou momentos de embate com a candidata da Rede, Marina Silva, e com a jornalista da Globo, Renata Vasconcellos, por já ter defendido que mulheres recebam menos que homens, mesmo quando realizam as mesmas funções. No início deste mês, seu candidato à vice, o general Hamilton Mourão, provocou reação entre as mulheres ao afirmar que lares “sem pai ou avô”, mas só com “mãe e avó” são “fábricas de desajustados”.

Nas redes e mais recentemente na TV, a campanha do capitão reformado tenta desconstruir sua rejeição entre as mulheres com um vídeo no qual se emociona ao falar da filha.

Comentários

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  1. Ana Lúcia Steinbach

    Vão se catar com essas notícias tendenciosas!vcs da imprensa estão todos nus,a máscara caiu!estao desesperados porque sabem que bolsonaro está em primeiro nas pesquisas!temos um grupo com 1,6 milhões de mulheres a favor dele no Facebook!por que não publicam isso?

  2. Alberto Ahrens

    Será interesante de descubrir quem sao estas mulheres a favor de Bolso….tal vez adoram ser abatidas…ameaçadas…colocadas no canto da cozinha? Lavando…etc a vida escrava? Ufa! Só da imaginar que elas realmente sao mulheres para mulheres!!!??? Brincadeira…

  3. Eduardo Antunes

    Não adianta ,o povo não vai cair nessas notícias mentirosas mas nao! Somos todos Bolsonaro presidente e general Mourao primeiro turno tmj força total!