Pedro Paulo, o surfista olímpico

É quinta-feira e as Olimpíadas do Rio de Janeiro são, até aqui, um sucesso. Os índices de aprovação de quem vai aos jogos fica entre 80% e 90%. Na disputa por votos, se há um beneficiado por essa euforia olímpica – que só termina no dia 18 de setembro, com o encerramento da paralimpíada –, é o deputado federal Pedro Paulo, do PMDB, escolhido pelo atual prefeito carioca Eduardo Paes para ser seu sucessor.

Grandes eventos costumam ajudar na popularidade. A presidente Dilma Rousseff viu a sua aumentar de 30% em maio para 35% em julho, logo após Copa do Mundo, com 7 a 1 e tudo no caminho. O próprio Paes se beneficiou da construção do evento: no final de 2013 sua aprovação era de 30%, foi para 37% em 2014 e no ano passado era de 53%. Pedro Paulo está bem precisando de uma mãozinha. Mesmo com a benção de Paes, ele aparece em sexto nas pesquisas, atrás de Marcelo Crivella (PRB), Marcelo Freixo (PSOL), Flávio Bolsonaro (PSC), Jandira Feghalli (PCdoB) e Índio da Costa (PSD), somando apenas 4,6% das intenções de voto.

Segundo analistas políticos, qualquer um pode ir para o segundo turno – e Pedro Paulo se beneficia do discurso de continuidade de uma gestão que organizou as Olimpíadas. Além da vantagem de ter o aparato da máquina pública a seu favor. Enquanto ocupava a Casa Civil municipal, o secretário tentou distribuir mais de 500.000 ingressos para os jogos, movimento barrado pela justiça acusado de ser uma tática de campanha.

Os louros olímpicos serão suficientes? “A grande maioria dos eleitores olha, de fato, para os aspectos da vida cotidiana na hora de votar — melhorias no transporte urbano, nos postos de saúde e no emprego”, diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Ainda assim, usar a seu favor um projeto como a Rio 2016 pode até não garantir a vitória, mas atrapalhar não atrapalha.