A Petro de Parente

Será o início do fim da crise da Petrobras? O engenheiro Pedro Parente, de 62 anos, foi anunciado ontem à noite como o novo presidente da estatal, no lugar do administrador Aldemir Bendine. Parente, como até os poços da Bacia de Santos sabem, assume uma empresa quebrada e sem rumo. Mas especialistas e investidores estão animados.

Ele foi ministro da Casa Civil, do Planejamento e de Minas e Energia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ficou nacionalmente conhecido em 2001, ao liderar o plano de racionamento de energia. Foi consultor do Fundo Monetário Internacional e é conselheiro da BM&FBovespa. No setor privado, foi presidente da empresa de alimentos Bunge e hoje é sócio da consultoria Prada.

“Ele é uma pessoa muito qualificada e tem experiência com crises”, diz o engenheiro David Zylbersztajn, primeiro diretor da Agência Nacional do Petróleo. “O risco é sofrer com as influências políticas e não convencer o governo a rever o nível de controle nacional”.

Indicado por Dilma Rousseff em 2015, Bendine realizou cortes de 20% nos investimentos para reduzir os custos da empresa, e sofreu administrar os ânimos do governo, do conselho de administração e dos funcionários. Parente, que tem mais experiência no setor e menos envolvimento político, na teoria deve conquistar um pouco mais de independência e ser mais incisivo para realizar as mudanças que julgar necessárias.

Seu maior desafio? Lidar com uma dívida de 130 bilhões de dólares. Essa semana, a Petrobras captou 6,75 bilhões de dólares com um nível de confiança que surpreendeu: os investidores teriam se interessado por comprar até 20 bilhões em títulos da empresa. O momento é difícil, mas pelo menos com o otimismo do mercado o novo presidente já pode contar.