Os Jogos das mulheres

As Olimpíadas do Rio podem ser a do zika, a da violência, a da crise, mas certamente serão os jogos das mulheres. Nesta quarta-feira, são elas que abrem as disputas, antes mesmo da cerimônia de abertura, marcada para sexta-feira 5. Às 13h, em Brasília, as seleções de futebol feminino de Suécia e África do Sul abrem os trabalhos. Às 16h, é a vez de o Brasil enfrentar a China, no Estádio Olímpico João Havelange, no Rio.

A participação feminina é recorde nos Jogos em 2016. Elas representam 45,3% do total de atletas – um crescimento de 11% em relação à última edição. A tendência natural é que metade dos competidores olímpicos sejam mulheres, com sua participação em todos os esportes – em Londres, elas estrearam no boxe. Em 1896, na primeira edição das Olimpíadas da era moderna, sua participação era proibida. Um problema a ser enfrentado é a inclusão feminina nos esportes de base: de acordo com a ONU, 49% das meninas largam o esporte quando atingem a puberdade – taxa seis vezes maior que a dos meninos.

Nesta edição, o grande destaque é a delegação da China: serão 256 chinesas disputando medalhas, 61,5% do total de atletas do país. Os Estados Unidos também trouxeram mais mulheres que homens, e superam a China em números absolutos, com 292 atletas americanas, 53% da delegação. O Brasil tem menos mulheres que em Londres, e está abaixo da média dos Jogos: 44,9% da delegação, ante 47,4% quatro anos atrás. 

As atletas brasileiras costumam fazer história nos jogos. Só nesta quarta-feira, estarão em campo duas recordistas: a atacante Cristiane, maior goleadora da história da modalidade, com 12 gols marcados, e a meia Formiga, que já disputa sua sexta Olimpíada. Muitas das 209 atletas brasileiras têm grandes chances de subir ao pódio. Entre elas, Fabiana Murer, no salto com vara, Poliana Okimoto, na maratona aquática, ou Sarah Menezes, no judô. É torcer para que o sucesso delas leve ainda mais brasileiras para Tóquio, em 2020.