Para Temer, quanto antes, melhor

Na retórica, aliados e correligionários do presidente interino Michel Temer tentam rechaçar a hipótese de derrota na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. Na prática, agem rápido para neutralizar qualquer possibilidade de mudança no placar.

Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil e um dos maiores especialistas em contar votos no Congresso, admitiu ontem que o governo quer resolver o assunto o “mais rápido possível” e que a situação gera “muita preocupação”. A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) apresentou ontem um requerimento encurtando os prazos do cronograma montado pelo senador Antonio Anastasia – que seria votado ontem. A proposta antecipa o julgamento do juízo de pronúncia, última etapa antes da votação no plenário, de 2 de agosto para 12 ou 13 de julho. O PT vai recorrer ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

Temer reage aos rumores de que senadores podem mudar seus votos. Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO) disseram que reavaliarão seu posicionamento. O ex-jogador de futebol, inclusive, renunciou ao cargo de titular da comissão de impeachment. Segundo EXAME Hoje apurou, o grupo de seis senadores que defende uma proposta de emenda para novas eleições já conta com apoio de 15 parlamentares na Casa. As informações negativas do governo Temer, como as quedas dos ministros Romero Jucá e Fabiano Silveira, incentivaram.

O problema pode estar na origem: esse apoio só virá acompanhado de um compromisso de Dilma em chamar novas eleições, caso volte ao Planalto. Na Câmara, a votação da desvinculação das receitas na quarta-feira mostrou que o governo interino está com prestígio entre os deputados: 334 a 90 votos. No Senado, na fase da admissibilidade, Temer conquistou 55 dos 41 votos necessários. Agora, vai precisar de 54. Por isso, o presidente  interino tem pressa.