Os primeiros 25 dias de Doria

Nesta quarta-feira 25, a cidade de São Paulo completa 463 anos e o prefeito João Doria (PSDB) chega a 25 dias no cargo. Doria, que chamou a cidade de “lixo vivo” em dezembro, pouco antes de assumir, abraçou o programa Cidade Limpa em suas primeiras semanas de gestão. A palavra de ordem é… ordem. Os ambulantes não-cadastrados da Avenida Paulista precisarão ser transferidos para um local específico; os grafites que estampavam os muros da 23 de Maio foram apagados; o prefeito fez questão de varrer por duas vezes partes mal cuidadas da cidade.

Para celebrar o aniversário com os paulistanos, Doria faz valer, nesta quarta, sua principal promessa de campanha: o aumento da velocidade nas marginais. A retomada dos 90 km/h nas vias expressas, que haviam sido reduzidos pela gestão de Fernando Haddad (PT), é polêmica. Após um ano de tráfego a velocidades mais baixas, o número de mortes nas marginais caiu 52% e o trânsito melhorou, com aumento de 9% na velocidade média. O movimento Ciclocidade entrou com ação para tentar barrar o projeto “Acelera, SP”, mas o prefeito venceu o caso nesta terça-feira na Justiça.

Para o ex-governador do estado, Alberto Goldman (PSDB), que se tornou um dissidente do partido por não concordar com a candidatura de Doria para a prefeitura, o início do mandato tem sido midiático. “Ele tem errado a mão. Todo mundo quer uma cidade limpa, mas isso não quer dizer que ele tenha que apagar suas cores passando cinza por cima”, diz Goldman. “Com relação às mudanças de velocidade, acho que o assunto não foi levado com a seriedade que merece. Os estudos devidos não foram feitos”.

Outro marco do início da gestão Doria é o lançamento do programa Corujão da Saúde. O objetivo é zerar a fila de consultas em 90 dias, com hospitais e clínicas particulares ajudando a suprir a demanda por exames durante a madrugada. De acordo com a prefeitura, a fila de 485.000 pessoas já foi reduzida em 49,8% – mas isso porque os exames que haviam sido marcadas há mais de seis meses foram descartadas da fila, e os pacientes terão os casos reavaliados. Ou seja, quase 250.000 pessoas foram varridas da fila de espera.