Os números contra Temer

Os resultados de uma pesquisa CNT/MDA, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte, embaralharam o jogo político nesta quarta-feira. A imagem do governo Michel Temer (PMDB) piorou nos últimos quatro meses — 9,1% dos entrevistados consideram o governo “bom” e apenas 1,2% o avaliam como “ótimo”. No total, a avaliação é positiva para 10,3% dos entrevistados. O levantamento anterior, divulgado em outubro do ano passado, apontava uma avaliação positiva por 14,6% dos entrevistados.

Já o índice de rejeição ao governo subiu, passando de 36,7%, na pesquisa passada, para 44,1%. A aprovação pessoal do presidente caiu de 31,7% para 24,4%. Para quase 49% dos entrevistados, a corrupção no governo Temer é igual à da gestão de Dilma Rousseff (PT). Já para 31,5% o problema era maior com a petista, enquanto 16,1% avaliam que aumentou com Temer.

A pesquisa da CNT ainda revelou que, se as eleições presidenciais fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria a disputa contra todos os adversários no segundo turno. De acordo com o levantamento, Lula apresenta 30,5% das intenções de voto, ante 11,8% de Marina Silva, da Rede, a segunda colocada. Em terceiro lugar aparece, pela primeira vez, o deputado Jair Bolsonaro (PSC), com 11,3%. O senador Aécio Neves (PSDB) é apenas o quarto, com 10,1%. Na sequência vêm Ciro Gomes (PDT), com 5%, e o presidente Michel Temer, com 3,7%.

“Se as eleições fossem hoje, Lula facilmente seria eleito como presidente da República”, diz o presidente da CNT, Clésio de Andrade. Na avaliação dele, até a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia jogou a favor de Lula.

Pela manhã, Temer participou de uma cerimônia de liberação de milho para pequenos empresários do Nordeste e repetiu que a região, um histórico reduto petista, será prioridade em seu governo. Temer ainda afirmou que, mesmo com as restrições, o governo “não esquece daqueles mais carentes”. Não é o que mostram as pesquisas. Enquanto coleciona vitórias no Congresso, o governo continua distante do Brasil real. Faltam 593 dias para as eleições de 2018.