Operação Boca Livre; Bolsonaro na parede…

Boca livre fechada

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a operação Boca Livre, que investiga desvio de 180 milhões de reais em verbas federais de projetos aprovados pelo Ministérios da Cultura por meio da Lei Rouanet. Segundo a PF, o Grupo Bellini Cultural é o pivô do esquema. Além dele, são investigados o escritório de advocacia Demarest e empresas como Scania, KPMG, Roldão e Intermédica. O inquérito revela que as fraudes aconteceram de diversas maneiras, como não execução de projetos, superfaturamento, notas fiscais frias, além “da promoção de contrapartidas ilícitas às incentivadoras”. A PF descobriu que Antonio Carlos Bellini usou dinheiro público para pagar até o casamento de um familiar na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis.

Bolsonaro na parede

O Conselho de Ética da Câmara abriu na manhã desta terça-feira um processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro. Os parlamentares aceitaram a representação do PV que acusa Bolsonaro de quebra de decoro por ter dedicado seu voto a favor do impeachment de Dilma Rousseff ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura militar. O processo tem 90 dias úteis para tramitar. O PV pede a cassação do mandato de Bolsonaro.

A propina da Hypermarcas

O ex-diretor do Grupo Hypermarcas, Nelson Mello, disse em depoimento à Procuradoria-Geral da República que pagou 30 milhões de reais aos lobistas Lúcio Funaro e Milton Lyra, que têm trânsito no Congresso. Eles são ligados especialmente à cúpula do PMDB, como Renan Calheiros, Romero Jucá, Eduardo Braga e Eduardo Cunha. Com as informações, a PGR pedirá ao Supremo para que as informações sobre políticos que tenham foro privilegiado. Os lobistas, segundo Mello, agiam em nome de políticos e poderiam auxiliar em iniciativas de interessa da empresa e do setor no Congresso. Mello deixou a Hypemarcas depois de dar o depoimento, em fevereiro.

A propina de Delfim

O executivo da empreiteira Andrade Gutierrez, Flávio Barra, disse aos procuradores da PGR que os repasses feitos pela construtora no projeto da Usina de Belo Monte para o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto foram por contratos fictícios. O ex-presidente da empresa, Otavio Azevedo, já havia dito que Delfim havia recebido 15 milhões de reais a pedido do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A quantia seria pela participação do ex-ministro da Fazenda e principal conselheiro econômico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na formação do consórcio vencedor do leilão de Belo Monte, em 2010.

Dirceu perdoado… no Mensalão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que o Supremo encerre a pena do ex-ministro José Dirceu no mensalão — ele foi condenado a 7 anos e 11 meses. Apesar disso, Dirceu seguirá preso em decorrência das investigações da Lava-Jato. Ele foi condenado, no mês passado, a 23 anos de prisão na Lava-Jato.

PT fora

Os senadores do PT não participarão do jantar com o ministro da Fazenda Henrique Meirelles que acontece na noite desta terça-feira na residência do presidente do Senado, Renan Calheiros. Segundo o senador Lindbergh Farias, o motivo da ausência é por não reconhecerem o governo interino como legítimo. Além dos petistas, outros opositores como a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, não devem comparecer. No jantar, Renan pretende tocar as discussões sobre a Agenda Brasil para definir prioridades do governo na pauta do Congresso.

Mais confusão, Cunha?

Deputados que integram o Conselho de Ética pedirão a reavaliação da escolha do relator do recurso do deputado afastado Eduardo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça. O argumento dos parlamentares é de que Ronaldo Fonseca, do PROS, é suspeito para ocupar a função por ser aliado de Cunha e já ter se manifestado contra o processo que pede a sua cassação.

Ex-ministros defendem Dilma

Na comissão de impeachment, os ex-ministros de Dilma Rousseff, Luis Inácio Adams e Aldo Rebelo, defenderam nesta terça-feira os decretos de créditos suplementares editados por ela no ano passado sem aval do Congresso. Uma auditoria feita por técnicos do Senado apontou que Dilma teve culpa na edição dos decretos, mas a eximiu de responsabilidade no caso das pedaladas – atraso de pagamentos para bancos públicos. Os ex-ministros fazem partes do grupo de testemunhas de defesa da presidente afastada no processo.