Onde estão os investidores?

Foi uma ducha de água fria. Na terça-feira, o governo cancelou o leilão de privatização da distribuidora de energia Celg D, previsto para amanhã, por absoluta falta de interessados. Nenhuma investidor se candidatou a pagar os 2,8 bilhões de reais pedidos pelo governo. Foi um sinal de que o plano de desestatização de Michel Temer pode dar mais trabalho do que o imaginado.

A meta era pra lá de ousada: arrecadar 120 bilhões de reais nos próximos anos, dos quais 30 bilhões poderiam entrar no caixa do governo já em 2017. Entrariam na conta ativos da Petrobras e da Eletrobras e ainda concessões de portos, estradas e aeroportos. A animação (e a necessidade) foi tanta que, ao longo das últimas semanas, uma miríade de empresas estaduais começou a se organizar para a chegada dos investidores, num movimento que levou analistas a alertarem para o risco de um “congestionamento” de privatizações.

Como mostra o processo da Celg D, as coisas podem ser mais difíceis do que se imaginava. Como se viu, para os investidores, a simples saída de Dilma não é suficiente para despertar interesses. “O mais importante, neste momento, é uma narrativa atraente”, diz o gestor de um fundo de investimentos. “E, claro, demonstrações concretas de mudança”.

O secretário-executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, afirmou que pode vir a fazer mudanças no projeto de privatizações e concessões – previsto para ser apresentado no dia 25. Além disso, vai intensificar a agenda de viagens para se encontrar com investidores. No início de setembro, deve ir à China junto com Temer para encontro do G-20. Dia 13/9, a previsão é ir a Nova York para Assembleia da ONU. Depois, no dia 14 de outubro, tem agenda em Londres para um encontro com 40 fundos de investimento interessados no Brasil – entre eles o GIC, de Singapura, e o Allianz Capital Partners. Para evitar novos episódios como o da Celg D, a ordem é gastar a sola do sapato.