Onda Bolsonaro deixa o PT entrincheirado no Nordeste

Região que deu 12 milhões de votos de vantagem para Dilma Rousseff embarcou na onda Bolsonaro na última semana da campanha

O domingo foi ruim para o PT não só no plano nacional, como nas votações estaduais. Em uma série de estados importantes, o partido ficou sem palanque para a corrida eleitoral no segundo turno.

As reviravoltas aconteceram tanto nas votações para governador, quanto para senador, e todas elas são explicadas pela onda Bolsonaro na última semana das eleições. O voto casado no capitão reformado e em aliados ao governo e ao senado foram fatais para o PT.

A série de más notícias começa em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde Eduardo Suplicy, ex-senador, liderou todas as pesquisas de intenção de voto e acabou derrotado por Mara Gabrilli (PSDB) e Major Olimpio (PSL). Ao menos a ida de Márcio França (PSB) ao segundo turno evitou que os dois candidatos ao governo adotassem um discurso claramente pró-Bolsonaro no estado mais populoso do país.

No Rio de Janeiro, o senador petista Lindbergh Farias, um dos maiores defensores do ex-presidente Lula, não conseguiu se reeleger. Em Minas Gerais, derrota dupla: Dilma Rousseff, que liderava as pesquisas para o senado, não foi eleita; para o governo, Fernando Pimentel ficou fora do segundo turno, atropelado por Romeu Zeman (Novo).

A situação só não foi pior para o PT porque, apesar do avanço de Bolsonaro no eleitorado evangélico de baixa renda no Nordeste, o partido conseguiu vitórias em todos os estados da região. Em Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) foi reeleito no primeiro turno, assim como Camilo Santana (PT) no Ceará, Rui Costa (PT) na Bahia, Wellington Dias (PT) no Piauí e Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão. Paraíba e Alagoas também elegeram aliados do PT.

O apoio deles vai ser essencial para Fernando Haddad. Em 2014, Dilma Rousseff ganhou em todos os estados nordestinos no segundo turno, e só na região fez 12 milhões de votos de vantagem sobre Aécio Neves.

A lavada que o PT levou no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste obriga sua campanha a repetir o desempenho de quatro anos atrás para ter alguma chance no segundo turno. Conquistar alguns votos no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste também não faria mal para as pretensões petistas.