Odebrecht x Moro; MP x Bolsonaro…

Odebrecht por 3 horas

O ex-presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, depôs durante quase 3 horas ao juiz federal Sergio Moro em Curitiba. A audiência trata do processo que tem como réus o ex-ministro Antonio Palocci, os marqueteiros João Santana e Monica Moura e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari. É o primeiro depoimento de Odebrecht depois da homologação da delação premiada, o que, tecnicamente, o obriga a responder a todas as perguntas que lhe foram feitas. Embora Moro tenha decretado o sigilo do depoimento, alguns sites adiantaram informações, o que chegou a fazer com que o juiz paralisasse a oitiva. Entre as informações vazadas estavam a de que o executivo teria confirmado a compra, por meio de laranjas, de um terreno que serviria para a sede do Instituto Lula, o repasse de 128 milhões para Palocci para diversos fins e o pagamento de propinas em troca de medidas provisórias, como a do reparcelamento de débitos fiscais em 2009.

Prejuízo bilionário

A Polícia Federal apontou, em laudos anexados aos autos da Operação Lava-Jato, que 11 contratos da Construtora Odebrecht causaram um prejuízo de quase 5,7 bilhões de reais à Petrobras. O levantamento feito pela PF abrangeu o período de 2003 a 2014 em busca sinais de cartelização no trabalho das construtoras no momento de conseguir licitações com a companhia. “É possível concluir que as licitações que deram origem aos contratos (…) foram fraudadas mediante a atuação direta do cartel composto pela organização denominada ‘Clube dos 16’ ”, diz o laudo.

Ainda hoje

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a Casa votará ainda hoje o projeto de recuperação fiscal dos estados. Governadores de estados interessados, como Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), temiam que o quórum baixo de uma segunda-feira impedisse a apreciação da proposta, mas Maia disse que os deputados chegariam ao plenário conforme desembarcassem em Brasília, o que acontece no decorrer da tarde.

Denúncia contra Bolsonaro

O Ministério Público Federal no Rio entrou com uma ação civil pública contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nesta segunda-feira. A ação pede danos morais coletivos às comunidades quilombolas e à população negra e é referente às declarações de Bolsonaro no último dia 3 de abril, quando disse, numa palestra, que havia visitado um quilombo e que só havia encontrado “gordos” que “não tinham capacidade nem de procriar”. “Com base nas humilhantes ofensas, é evidente que não podemos entender que o réu está acobertado pela liberdade de expressão, quando claramente ultrapassa qualquer limite constitucional, ofendendo a honra, a imagem e a dignidade das pessoas citadas, com base em atitudes inquestionavelmente preconceituosas e discriminatórias, consubstanciadas nas afirmações proferidas pelo réu na ocasião em comento”, escreveram os procuradores.

Eike quer delatar

A coluna Radar, da revista VEJA, adiantou que Eike Batista quer delatar e já apresentou alguns fatos ao Ministério Público Federal. O empresário, no entanto, pretende fechar com os procuradores uma espécie de delação conjunta com Flavio Godinho, executivo responsável por operacionalizar grande parte das traficâncias do grupo X e que recentemente deixou a cadeia. Isso porque alguns esquemas que começavam com Eike terminavam com Godinho. O MP ainda não sabe se aceitará a delação. A coluna já adiantou que, entre os pontos que o empresário citou que pode esclarecer, estão propinas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, além de negociações com emissários de parlamentares com vistas a comprar votos favoráveis ao projeto de liberação dos jogos de azar no Brasil.

“Ótimo candidato”

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que o prefeito da capital do estado, João Doria (PSDB), seria um “ótimo candidato ao governo do estado”. A declaração foi feita numa reunião entre os dois e seus respectivos secretários. No fim de semana, Doria admitiu que seria candidato ao governo “se Alckmin pedisse”, depois de negar reiteradamente ter esse objetivo. Porém, numa pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana, 55% dos paulistanos disseram que reprovariam uma eventual candidatura do prefeito ao governo. O evento foi uma tentativa de Alckmin para diminuir o frisson em torno de seu afilhado político, que vem tendo mais destaque do que ele numa possível corrida presidencial. Durante a tarde, longe de São Paulo, Doria foi bastante aplaudido ao participar de um evento em Porto Alegre.

Região violenta

A América Latina tem 42 das 50 cidades mais violentas do mundo em 2016, de acordo com um levantamento da ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. A líder é Caracas, na Venezuela, que teve 130,35 homicídios para cada 100.000 habitantes, seguida por Acapulco, no México. O Brasil é o país com mais cidades no ranking — 19. A mais violenta é Natal (RN), com 69,56 homicídios para cada 100.000 habitantes. O ranking leva em conta somente cidades com mais de 300.000 habitantes.