Odebrecht enfim assina

Depois de idas e vindas quase infindáveis, enfim a Odebrecht começou a assinar nesta quinta-feira seu acordo de leniência com o Ministério Público. Cerca de 80 executivos da companhia fazem parte das tratativas, que também são o passo inicial para que a delação da empresa seja assinada. Isso também deve começar a acontecer nesta quinta. O acordo ainda deve ser referendado pelo ministro Teori Zavascki. Com a notícia, a Bovespa caiu 4% na tarde desta quinta-feira. Mais detalhes no resumo de Mercados.

O acordo garante que a companhia possa continuar contratando com o setor público. A multa ficou em 6,7 bilhões de reais em valores atuais — 2,5 bilhões de dólares — e será dividida entre Brasil, Estados Unidos e Suíça. O pagamento será feito ao longo de 20 anos acrescido de juros, então poderá chegar a 8,6 bilhões. Na semana passada, o acordo estava prestes a ser assinado, mas a procuradoria dos Estados Unidos implicou com o valor a ser recebido. O país desejava 50 milhões de dólares a mais do que o acertado na ocasião.

O acordo, esperado há semanas, é chamado de “delação do fim do mundo” por seu potencial de destruir o mundo político — e de provocar grandes feridas no governo Temer. Os próprios procuradores da força-tarefa afirmam que as delações têm o potencial de redefinir a política nacional entre a.O. e d.O. (antes e depois da Odebrecht).

As costuras do acordo exigiram o trabalho de 400 advogados. Devido ao grande número de investigações, a previsão é que as investigações só comecem no ano que vem. Entre as provas estão documentos e dados recuperados que haviam sido apagados por ordem do ex-presidente da construtora, Marcelo Odebrecht. A construtora preparou um comunicado pedindo desculpa pelos crimes que vai ser distribuído assim que o processo de assinatura for concluído. Marcelo terá dez anos de pena, sendo mais um em regime fechado — totalizando dois anos e meio preso.

Pelo que se sabe até agora, as delações vão atingir pelo menos 130 políticos, entre deputados, senadores, ministros, ex-ministros e ex-presidentes. Além deles, 20 governadores e ex-governadores estão na lista. Parte do conteúdo já revelado inclui: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu favores como a reforma no sítio de Atibaia em troca de facilitar contratos para a empresa no Brasil e no exterior; a ex-presidente Dilma Rousseff, que teve parte das campanhas financiadas com caixa dois da empreiteira; o presidente Michel Temer, que pediu 10 milhões a Marcelo Odebrecht para o PMDB, entregue em espécie ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que recebeu 23 milhões de reais para sua campanha de 2010.