O segundo round; Lula indiciado…

Lula indiciado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro na investigação sobre o tríplex no Guarujá, em São Paulo. Sua esposa, Marisa Letícia, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, o ex-diretor da empreiteira Paulo Gordilho e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, também constam no indiciamento da Polícia Federal. O casal é acusado de receber vantagens indevidas por meio da aquisição do apartamento no litoral e de reformas no imóvel em valores que ultrapassam 2,4 milhões de reais. O documento da PF traz imagens do apartamento e conversas entre os empreiteiros tratando do assunto. A defesa do ex-presidente diz que Lula não é proprietário do imóvel.

“Cracolândia”

Na sessão desta sexta-feira que define o destino do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o destaque voltou a ser a discussão entre senadores. Mais uma vez houve troca de acusações entre Lindbergh Farias (PT-RJ) e Ronaldo Caiado (DEM-GO): o petista chamou Caiado de “desqualificado” e recebeu a resposta de que seu gabinete é uma “cracolândia”. Ambos devem entrar com representação no Congresso um contra o outro.

Round 2

A grande confusão, porém, envolveu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O peemedebista aproveitou o microfone para alfinetar uma declaração de ontem da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que definiu os parlamentares como “sem moral” para julgar Dilma. Renan comparou o Senado a um “hospício”, dizendo que uma senadora não poderia fazer tal ilação. “Justamente uma senadora que, há 30 dias, o presidente do Senado conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, desfazer seu indiciamento e o de seu esposo [o ex-ministro Paulo Bernardo], que havia sido feito pela Polícia Federal”, disse Calheiros. Houve protesto de dilmistas e até empurrão em Lindbergh Farias.

Pegou mal

A assessoria de Renan teve de consertar o deslize em plenário durante a tarde. Uma nota à imprensa diz que a fala de Renan se referia a uma reclamação institucional, questionando a autorização de busca e apreensão no apartamento funcional de Gleisi e também ao seu indiciamento pela Polícia Federal.

OAS vale ouro

Léo Pinheiro está em alta. Se depender de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, o empreiteiro deverá ter nova chance de fechar um acordo de delação premiada se assim quiser. Na segunda-feira 22, a Procuradoria-Geral da República suspendeu as conversas com o empreiteiro sem apontar um motivo. Não foi pouca coincidência a edição da revista VEJA desta semana ter trazido na capa supostos trechos da delação que indicavam envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli no esquema. Para virar o jogo, segundo o jornal O Globo, basta Pinheiro apresentar um novo pedido de negociação com mais provas consistentes que esclareçam o caminho do dinheiro.

Fora da TV

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, endossou nesta sexta-feira um pedido do PSOL para que políticos não possam ter participação em empresas de radiodifusão. A ação está desde dezembro sob avaliação do Supremo. Segundo a própria PGR, 30 deputados federais e oito senadores têm participação em empresas desse tipo. “Pessoas jurídicas controladas ou compostas por detentores de mandato parlamentar podem interferir e de fato interferem, na medida do interesse de seus sócios e associados, na divulgação de opiniões e de informações, e impedem que meios de comunicação cumpram seu dever de divulgar notícias e pontos de vista socialmente relevantes”, disse Janot nos autos do processo.

O Peixe quer jogar

Todo mundo sabe que o senador do PSB e ex-atacante da Seleção Brasileira, Romário Faria, não dispensa uma pelada ou uma partida de futevôlei. Sua casa em Brasília, portanto, foi devidamente adaptada com quadras para ambos os esportes. Acontece que o “baixinho” escolheu mal o lugar das instalações. A Polícia Civil do DF enviou ao Supremo uma investigação de crime ambiental contra o senador por construir as quadras às margens do Lago Paranoá, no Lago Sul. Romário admite adequações, mas nega quaisquer danos ao meio ambiente. A investigação foi designada a Teori Zavascki, que dará a Janot a palavra final se as apurações devem ser mantidas.