O que se sabe até agora sobre o tiroteio na Catedral de Campinas

Tragédia, que deixou cinco mortos, será investigada pela polícia da cidade; atirador não tinha antecedentes criminais e era diagnosticado com depressão

São Paulo — O homem que matou quatro pessoas e se suicidou em seguida na Catedral Metropolitana de Campinas, nesta terça-feira (11), foi identificado como Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos.

Segundo investigações preliminares da polícia de Campinas, cidade que fica a 98 km de São Paulo, o atirador não conhecia nenhuma das pessoas que estavam rezando na igreja. Ele também não tinha antecedentes criminais.

“A profissão, ao que parece, é analista de sistemas. É uma pessoa fora de qualquer suspeita em circunstâncias normais. Agora, com a identificação, nós vamos investigar a motivação”, apontou o delegado José Henrique Ventura, que acompanha as investigações

Sua identidade foi descoberta em sua carteira de habilitação, que estava em uma mochila dentro da igreja.

As vítimas fatais são Sidnei Vitor Monteiro, de 39 anos, José Eudes Gonzaga, de 68 anos, Cristofer Gonçalves dos Santos, de 38 anos, e Eupídio Alves Coutinho, 51 anos.

O ataque começou por volta das 13h15 e só foi contido quando a Polícia Militar entrou na igreja e atingiu Grandolpho no peito. Em seguida, ele se matou com um tiro na cabeça.

Um vídeo, das câmeras de segurança da catedral, mostra o momento do ataque.

Nesta quarta-feira (12), a polícia vai reconstruir os passos do atirador, para entender como ele saiu de sua casa e chegou na igreja.

Ao G1, os policiais disseram que vão investigar um diário encontrado na casa dele com sinais de que se sentia perseguido. O delegado Ventura revelou que Grandolpho anotava placas de carros e outras informações sobre supostas perseguições.

Ainda não foi descoberta uma motivação exata, mas as investigações apontam para um possível surto psicótico do atirador.

“Ele tinha um perfil de se sentir perseguido. Chegou a registrar boletins de ocorrência e segundo consta, até em função desse perfil, que poderia vir de uma depressão, ele fez uma consulta no CAPS que é um centro de apoio psicossocial para tratar disso”, afirmou o delegado ao site.

Ainda há questões a serem esclarecidas, como a origem das armas usada pelo atirador, que estavam com a numeração raspada e a motivação.

Perfil

Morador de Valinhos, cidade próxima de onde ocorreram os disparos, ele vivia sozinho com o pai em uma confortável casa de três andares, protegida com segurança privada, de acordo com reportagem do jornal O Globo.

Ele foi servidor concursado do Ministério Público do Estado de São Paulo, atuando como auxiliar de Promotoria I, na Comarca de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo.

O MP informou que ele pediu exoneração do cargo em 3 de julho de 2014, mas não há informações sobre o motivo.

Seu perfil no Facebook não tem muitas postagens, mas informa que ele estudou no Colégio Técnico da Unicamp e na Unip, em Campinas.

Em um canal no YouTube, Grandolpho publicou um vídeo em que aparece praticando Counter-Strike, jogo de tiro em primeira pessoa.

Postado em outubro de 2017, no vídeo é possível notar que, àquela altura, o atirador da catedral havia jogado 350 horas.

Feridos

Um homem de 84 anos, que foi atingido no tórax e no abdômen, passou por cirurgia no Hospital Municipal Doutor Mário Gatti e agora está na Unidade de Terapia Intensiva.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o estado de saúde dele é grave. Uma mulher de 65 anos foi levada para a mesma unidade, permanece em observação, mas o estado dela é estável. Ela foi ferida no tórax, na mão e teve uma fratura na clavícula.

As outras duas pessoas baleadas foram levadas para o Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e para o Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas.

Velório

O prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB) decretou luto oficial de três dias. A expectativa é que os velórios das vítimas ocorram a partir desta quarta.

A Catedral Metropolitana de Campinas está cercada por um cordão de isolamento. Os funcionários da prefeitura trabalharam para limpar o local e permitir que hoje a igreja seja aberta para missas.

O local é um dos mais movimentados de Campinas, fica ao lado do calçadão e da principal rua de comércio.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)