O que o MP descobriu sobre a corrupção na Petrobras

Veja detalhes de como funcionava o esquema que, por mais de 10 anos, desviou milhões de reais da maior estatal do país

São Paulo – O Ministério Público denunciou, nesta quinta-feira, 36 pessoas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras. Entre elas, estão 22 executivos de grandes empreiteiras, o doleiro Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal. Todos foram denunciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nas investigações, o MP descobriu detalhes de como funcionava o esquema que durou uma década e envolveu não só a maior empresa estatal do Brasil, mas também seis das maiores empreiteiras que atuam no país e políticos ligados a grandes partidos. 

Veja os detalhes de como funcionava a operação criminosa:

1. Crimes duraram quase uma década

Os desvios de dinheiro na Petrobras ocorreram entre 2004 e 2012. Alguns pagamentos, no entanto, se prolongaram até este ano.

2. Propina chegava a 5% dos contratos 

As empreiteiras pagavam propina para altos dirigentes da Petrobras em valores que variam de 1% a 5% do montante total de contratos bilionários.

3. Empreiteiras formaram um “clube” para fraudar licitações

Os recursos foram desviados em fraudes nas licitações das empreiteiras com a Petrobras. As empresas formaram uma espécie de “clube” para driblar as licitações. Os preços oferecidos à Petrobras eram calculados e ajustados em reuniões secretas para definir quem ganharia o contrato e qual seria seu valor. 

4. Regras inspiradas no futebol definiam qual empresa  ficaria com obra

O cartel possuía regras que simulavam um regulamento ou tabela de campeonato de futebol, para definir como as obras seriam distribuídas.

5. Esquema funcionava em 3 núcleos

O esquema era formado por 3 núcleos: o das empreiteiras, o dos agentes públicos (que recebiam as propinas) e o dos operadores financeiros, que intermediavam o esquema e faziam o pagamento das propinas.

6. A lavagem de dinheiro acontecia em duas etapas

Em um primeiro momento, os valores iam das empreiteiras até o operador financeiro (em espécie, por movimentação no exterior e por meio de contratos simulados com empresas de fachada). Depois, o dinheiro ia do operador até o beneficiário. O pagamento podia ser feito em espécie, por transferência no exterior ou até mesmo com bens, como um carro Land Rover que o doleiro Alberto Youssef deu a ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

7. Empresas fictícias mascaravam o esquema

O principal método de lavagem de dinheiro consistia na contratação fictícia, pelas empreiteiras, de empresas de fachada dos operadores, para justificar a ida do dinheiro das empreiteiras para os operadores.