Bolsonaro sobre chanceler francês: “o que ele veio tratar com ONG aqui?”

A embaixada francesa informou que Le Drian se reuniu no país com representantes da sociedade civil para discutir as mudanças climáticas e o meio ambiente

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (1) seu mal-estar com o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, em quem deu um bolo no início da semana, ao tomar conhecimento de que havia agendado entrevistas com ONGs ambientalistas e de direitos humanos.

“O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um alerta na cabeça de quem tem o mínimo de juízo”, disse Bolsonaro a jornalistas em Brasília.

Le Drian “marcou audiência comigo. Aí fiquei sabendo que ele tinha marcado com o [vice-presidente Hamilton] Mourão, tinha marcado com ONGs. Quem é que ferra o Brasil? ONGs”, acrescentou.

Quando uma jornalista perguntou se esta foi a causa pela qual cancelou o encontro com Le Drian, Bolsonaro respondeu: “Tinha outro compromisso, falar contigo, talvez. Dar entrevista para você é muito mais importante do que conversar com ele, com todo respeito. Tem estratégia de como agir em um dado momento”, acrescentou.

Bolsonaro alegou questões de agenda para cancelar a audiência com o ministro francês das Relações Exteriores, embora pouco depois da hora programada para o encontro, o presidente fez uma transmissão ao vivo no Facebook enquanto um barbeiro lhe cortava o cabelo.

O governo de Emmanuel Macron observa com particular atenção o respeito a normas ambientais no âmbito do recente acordo de livre comércio assinado entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a União Europeia (UE).

Em um tuíte, a embaixada da França no Brasil informou que Le Drian se reuniu no país com “representantes da sociedade civil para discutir das soluções para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e da proteção do meio ambiente”.

Entre os presentes estava Izabella Teixeira, que foi ministra do Meio Ambiente durante o governo da presidente Dilma Rousseff (2011-2016).

Ainda segundo a embaixada, durante a visita ao Brasil, o chanceler também fez “trocas construtivas com ONGs que trabalham pela proteção dos direitos humanos”.

Dois temas ultrassensíveis para Bolsonaro, um notório cético do aquecimento global e defensor da ditadura militar (1964-1985).

Em um café da manhã no mês passado com jornalistas estrangeiros, Bolsonaro questionou os dados que demonstram um avanço do desmatamento, afirmando que a Amazônia é uma questão de soberania para o Brasil e ironizou: “Com toda a devastação que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”.