O PT no alvo – e o governo na berlinda

Depois de 50 dias longe das ruas, a Operação Lava-Jato voltou com ímpeto renovado. Apenas quatro dias depois de deter o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, a Polícia Federal prendeu o ex-ministro Antonio Palocci, homem forte de Lula e de Dilma. O petista é acusado de receber vantagens indevidas de 128 milhões de reais junto a outros agentes do partido para favorecer a empreiteira Odebrecht em contratos com o poder público.

Seria uma péssima notícia apenas para o PT, não fosse por um detalhe. Junto com a detenção de Palocci, veio à tona uma declaração do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que deu munição aos críticos dos métodos da operação. “Esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos”, disse Moraes no domingo em evento de campanha em Ribeirão Preto.

A declaração impulsionou, na oposição, a suspeita de que a Lava-Jato é conduzida com viés partidário e que tem interferência do governo, como indicou o ex-advogado-geral da União Fábio Medina Osório. Questiona-se ainda a fundamentação para os pedidos de prisão. É preciso indicação clara de que o investigado esteja atuando para atrapalhar as investigações, algo que, segundo juristas consultados por EXAME Hoje, os autos não atestam com certeza.

“Essa agitação em período eleitoral, junto com a fala do ministro da Justiça, deixam mais difícil dizer que há isenção política e alimentam especulações de todo tipo”, afirma Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional da FGV Direito e pesquisador do Núcleo de Justiça e Constituição. Nesta segunda, o defensor de Palocci, José Roberto Batochio, chamou a declaração de Moraes de “antecipação do show”. Temer chamou o ministro para conversar. Para ele, quanto mais longe da Lava-Jato, melhor.