A sexta queda de Temer

O empreendimento imobiliário La Vue, que está sendo erguido na avenida 7 de Setembro, em Salvador, foi responsável, nesta sexta-feira, pela queda do segundo ministro. Perto das 11 horas, o então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, divulgou a carta de demissão enviada ao presidente Michel Temer. 

“Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair”, afirmou.

Há exatos sete dias, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, pedira demissão depois de ter sido pressionado por Geddel para que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), subordinado a ele, liberasse o La Vue. O caso envolveu, na noite de ontem, o presidente Michel Temer, que também teria pressionado Calero a liberar a obra, numa conversa gravada por Calero.

Nesta sexta, Calero foi criticado pelo senador Aécio Neves e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal por ter gravado o presidente. Ontem, já havia sido criticado pelo porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, por ter, segundo ele, agendado uma reunião com o objetivo de obter as gravações. Calero respondeu que não premeditou as gravações e que nunca “agiu de má-fé ou de maneira ardilosa”. Disse ainda que cumpriu a “obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições”.

Geddel afirmou nesta sexta que vai “tocar sua vida”. Sem o cargo, ele perde também o foro privilegiado e entra no radar do juiz Sergio Moro e do Ministério Público. O site BuzzFeed revelou que Geddel recebeu 1,5 milhão de reais do departamento de propinas da Odebrecht entre agosto e setembro de 2010. Seu apelido na construtora era Babel.

Para ocupar seu lugar, desponta o secretário de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco. Ele é próximo a Temer e é sogro do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O cargo ainda viria a calhar por lhe garantir foro privilegiado. Moreira Franco também foi citado na Lava-Jato. Em reunião com a cúpula do PSDB no almoço desta sexta-feira, Temer ouviu do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que “temos de chegar até a eleição