O futuro de Lula – e do PT

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem o mais duro golpe de sua carreira. A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal o apontou como o principal líder do esquema de corrupção que se instalou na Petrobras na última década. A denúncia pode ter dois efeitos diretos sobre o futuro político de Lula e, por consequência, do Partido dos Trabalhadores.

A primeira é de curto prazo. Os termos duros usados pelos procuradores podem dificultar ainda mais a vida de candidatos petistas em eleições municipais. Lula se preparava para ser mais presente nas campanhas. Era esperado no palanque de candidatos a prefeito do PT em capitais e principalmente em São Paulo, onde o prefeito Fernando Haddad sofre para melhorar nas pesquisas. Lula ainda assim vai aos palanques? E Dilma Rousseff? A possibilidade continua existindo, no caso de o partido reafirmar o discurso feito quando Lula foi conduzido a depor, em São Paulo: no famoso discurso da jararaca, o ex-presidente afirmou que era vítima de um complô, e que não se intimidaria.

Outro efeito das denúncias será sentido em 2018. Embora diversos analistas acreditem que Lula se coloca como candidato mais com a intenção de intimidar partidos adversários do que com reais planos de concorrer, o cerco se fecha. O juiz Sergio Moro leva em torno de seis meses para analisar as denúncias que recebe. O Tribunal Regional de Porto Alegre, a próxima instância, pouco mais de um ano. Lula pode, portanto, estar preso às portas da campanha de 2018 – um baque para ele, e para o partido.

“A tese da perseguição ao partido tem funcionado com a militância. Mas a denúncia deve enfraquecer o discurso e as mobilizações sociais por atingir diretamente Lula”, diz Francisco Almeida, analista político da consultoria Barral M Jorge. O ex-presidente planejava ir aos Estados Unidos para reforçar seu discurso de golpe no exterior. Os próximos dias vão mostrar se Lula se retrai, ou se parte para o contragolpe.