O ES, do luxo ao lixo

De volta ao Espírito Santo, o governador Paulo Hartung (PMDB) convocou coletiva de imprensa para esta quarta-feira. Ele esteve afastado do cargo para a retirada de um tumor na bexiga justamente quando iniciou-se uma greve de policiais militares que desencadeou uma onda de crimes em todo o estado. Em três dias, dezenas de lojas foram saqueadas, mais de 200 carros foram roubados e 75 pessoas morreram. As cenas de barbárie foram captadas em vídeo e divulgadas nas redes sociais. Escolas e unidades de saúde foram fechadas.

A rigor, a orientação médica ainda prevê repouso para Hartung por alguns dias, deixando o vice César Colnago no cargo. Nesta terça 7, mil homens do exército e 200 da Força Nacional iniciaram patrulhamento nas ruas da capital e adjacências para frear a onda de crimes. A população saiu às ruas no fim do dia de ontem para protestar contra as famílias de PMs que impedem a saída de policiais para patrulhamento na porta dos batalhões.

Se nada for feito, a situação deve piorar. Na quinta-feira 9, às 13 horas, uma assembleia define se policiais civis também cruzarão os braços. “Nosso salário é um dos mais baixos do Brasil. Nos últimos anos, não houve recomposição da inflação”, disse Humberto Mileip, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis. Nem mesmo a decisão do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que define a greve como ilegal e estabelece multa de 100.000 reais por dia de paralisação aos sindicatos, parece ter intimidado os oficiais.

Hoje vivendo o caos, Espírito Santo foi manchete até semanas atrás como referência de sistema penitenciário enquanto estados da Região Norte viviam um pesadelo com rebeliões sucessivas. Somado a isso, no fim de 2016, foi um dos poucos estados a fechar as contas no azul enquanto outros negociavam resgate do governo federal. O projeto nacional de Paulo Hartung está ruindo. A ver o que ele fará ao retornar à cadeira de governador.