O duelo das polícias

O Brasil chegou ao ponto do confronto entre duas forças policiais. Na manhã desta sexta-feira a Polícia Federal deflagrou a Operação Métis — uma referência à deusa grega da proteção — contra uma associação criminosa que obstruiu investigações contra senadores, comandada pela Polícia Legislativa do Senado. Por mais absurdo que possa parecer, quatro agentes foram presos temporariamente por desarmar grampos autorizados pela Justiça contra parlamentares. Na lista de “beneficiados” estão nomes de peso da política nacional como os ex-presidentes Fernando Collor de Mello (PTC-AL) e José Sarney (PMDB-AP), o senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Os senadores alegam que as vistorias foram feitas buscando escutas não-autorizadas. Mas o ponto mais contraditório foi a defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aos envolvidos. “A Polícia Legislativa exerce suas atividades dentro do que preceitua a Constituição, as normas legais e o regulamento administrativo do Senado Federal”, disse em nota. “Impossível, por falta de previsão legal e impossibilidades técnicas, diagnosticar quaisquer outros tipos de monitoramentos que, como se sabe, são feitos nas operadoras telefônicas”.

Renan ressaltou ainda que é preciso primar pela “separação dos poderes” e “presunção de inocência”. O bloqueio das escutas foi realizado com a ação de maletas tecnológicas que impedem o funcionamento dos grampos. O Senado gastou 403.000 reais com os equipamentos, dispensados de licitação.

Para a investigação da PF, o grupo sempre objetivou atrasar a Lava-Jato e agia para tal desde 2014. Segundo a decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Souza Oliveira, o diretor da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho, determinou conscientemente as ações a fim de embaraçar “notória operação”. A PF usou mandados de busca na Casa para encontrar documentos que comprovem essa relação.