Os planos de saúde na berlinda

A vida anda duríssima para as operadoras de planos de saúde – e, claro, para seus usuários. A partir desta sexta-feira, 69 operadoras ficam proibidas de registrar novos clientes, devido ao alto número de reclamações registradas pelos consumidores. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou o bloqueio para garantir o atendimento de 692.000 usuários diretamente impactados pela medida, após receber mais de 16.000 queixas entre julho e setembro deste ano.

Para voltar ao mercado, as empresas precisam regularizar o serviço em até três meses. Caso contrário, seguem bloqueadas pelo próximo ciclo. As dificuldades em satisfazer os clientes, que somam 25% da população brasileira, não são o único problema das operadoras; mantê-los também tem sido um drama. Em 2015, os planos de saúde perderam mais de 1 milhão de clientes. Até setembro deste ano, foram mais 1,1 milhão. No ano passado, apesar da perda significativa de usuários, foi o ano de maior faturamento: 158,7 bilhões de reais, com lucro de 950 milhões de reais.

Este ano, o faturamento continua em alta graça ao aumento das mensalidades. Os contratos coletivos, que correspondem a cerca de 80% do total, não têm os índices de reajuste fiscalizados pela ANS e o aumento praticado pelas operadoras ficou numa média de 20% este ano. Mas fechar a conta tem sido cada vez mais difícil. Os custos aumentaram e, até setembro deste ano, o prejuízo já era de mais de 630 milhões de reais.

O número de empresas no setor tem caído, mas continua altíssimo. São, hoje, 1.101 operadoras com beneficiários no Brasil. A concentração é inevitável, e vantajosa. Empresas mais robustas conseguem superar melhor os efeitos das crises — como a atual, que já deixa 11,8% de desempregados — e têm maior possibilidade de se manter no mercado. O interesse pelos negócios hospitalares está em alta. A expectativa é de que as fusões movimentem 5 bilhões de reais entre 2017 e 2018. Independentemente dos rearranjos, os consumidores vão continuar cobrando.