O banquete da PEC

Virou rotina no Palácio da Alvorada: quando precisa de resultado positivo em alguma votação importante, o presidente Michel Temer não hesita em oferecer um jantar a parlamentares. Foi assim quando reuniu 215 deputados – e diversas esposas – antes da votação da PEC do Teto dos Gastos na Câmara, no dia 9 de outubro. Para que a mesma PEC passe sem sobressaltos no Senado, o presidente oferece nesta quarta-feira, a partir das 20h, um jantar para os senadores da base aliada.

A intenção é pressionar para que tudo ocorra como o planejado pelo Planalto. É preciso o voto favorável de 49 dos 81 senadores. A princípio, o presidente não deve ter surpresas, já que a oposição a ele no Senado soma apenas 24 parlamentares. Ainda assim, o governo precisa mostrar coesão para evitar que haja adiamentos nas votações, que devem acontecer nos dias 29 de novembro e 13 de dezembro para que a PEC possa ser implementada em 2017.

O governo sabe que os protestos contra a proposta – e também contra as reformas trabalhista, educacional e da Previdência – tendem a se intensificar conforme a votação final se aproxima. Sob essas bandeiras, mais de mil escolas pelo país estão ocupadas e a Central Única dos Trabalhadores, que organizou manifestações por todo o país na última sexta, e deve continuar realizando atos até o final do ano.

No governo, ainda existe o medo de que a crise profunda que o Rio de Janeiro atravessa reflita no governo federal, além dos desdobramentos da Operação Lava-Jato e da delação da Odebrecht. Isso tudo poderia influenciar na governabilidade. O Rio começa a discutir hoje o pacote de cortes na assembleia estadual, com barreira de 500 homens da Força Nacional de Segurança.

Analistas concordam que a PEC é o projeto mais fácil de ser aprovado nos termos que o governo quer, se comparado com outras reformas. Os jantares agora são importantes porque a base não pode começar a rachar antes das batalhas mais difíceis. Os garçons do Planalto devem ter muito trabalho pela frente.