Novo líder do MDB, Baleia Rossi diz que “é possível viver sem ser governo”

Convenção foi marcada pelas presenças de velhos caciques da legenda como José Sarney, Eunício Oliveira, Moreira Franco e Eliseu Padilha

Prometendo “renovação”, o MDB confirmou o deputado federal Baleia Rossi (SP) seu presidente, em convenção marcada pelas presenças de velhos caciques da legenda como o ex-presidente José Sarney, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira e os ex-ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Em seu discurso, Rossi afirmou que o MDB precisa de uma identidade e mostrar que é “possível viver sem ser governo“. “Hoje precisamos escolher novas bandeiras. É preciso saber que é possível viver sem participar de governo porque somos muito maior do que isso”, afirmou Rossi, que sucede o ex-senador Romero Jucá.

Sob o slogan “Renovação Democrática”, o encontro planejado para mostrar um “novo MDB” serviu também de palanque para resgatar velhas lideranças políticas afastadas dos holofotes por derrotas nas urnas nos últimos pleitos ou por investigações como a Operação Lava Jato.

“A unidade do partido é fundamental para gente poder mudar, reconectar o nosso partido com os anseios da sociedade e da voz a nossa militância. Respeitando a nossa história, mas também sabendo que o partido tem que olhar para frente”, afirmou Baleia Rossi.

Os salões do Centro de Convenções do Meliá 21, na região central de Brasília, estavam repletos de imagens do ex-presidente da Câmara Ulisses Guimarães, fundador e um dos políticos históricos da legenda. Ao microfone, os emedebistas enalteciam o governo do ex-presidente Michel Temer, que não compareceu.

Sem Temer, a grande estrela do velho MDB foi o ex-presidente José Sarney. Aos 89 anos, ele teve dificuldade de circular por conta da tietagem de filiados. A cada momento o ex-presidente era parado para fotos. “Falam do velho Sarney. Não me sinto velho, não. Sou jovem como disse o Jucá. E ainda me sinto mais jovem vendo todas as mulheres, como vejo aqui hoje”, afirmou o ex-presidente.

As críticas à chamada “nova política” também estavam presentes. Sem conseguir a reeleição, Jucá que assumirá uma cadeira de “vogal” na Executiva, fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro. “Qual é a nova política? Qual é a que ele (Bolsonaro) pratica? Política é a política. É a boa política e a má política. Fazer política é tomar decisões para afetar a vida das pessoas. Quem faz bem afeta positivamente, quem faz mal, destrói a vida das pessoas”, afirmou

Presente à convenção, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu os quadros históricos do partido. “Nós temos muitas realizações juntos e não devemos ter vergonha do que fizemos. Temos que valorizar e mostrar à sociedade que temos experiência para fazê-las. Porque falar com boas narrativas, isso é fácil. O difícil é ter bons quadros como o MDB”, afirmou.

O ex-ministro Moreira Franco afirmou que é necessário ter “humildade” para reconhecer a necessidade de mudanças internas. “Temos que ter humildade e fazer diferente. Os resultados das últimas eleições para nós, do MDB, foram terríveis. Temos que incorporar, entender, mudar para nas eleições municipais termos a mesma recepção que o partido teve no passado”, afirmou o ex-ministro.

Nem todos os filiados presentes na convenção estavam satisfeitos com a presença dos caciques. “Não me sinto à vontade em uma convenção como essa. Vão sair fotos daqui que terei vergonha”, afirmou o deputado estadual no Rio Grande do Sul, Edson Brum (MDB).

Os nove membros da executiva eleita chegam ao comando do partido pela primeira vez. O grupo tem três filhos de políticos tradicionais: o próprio Baleia Rossi (filho do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi) o deputado federal Newton Cardoso Júnior (filho do-governador de Minas Gerais Newton Cardoso) e o ex-deputado Daniel Vilela (filho do ex-governador de Goiás Maguito Vilela).

Manifesto

Depois de lançar a “Ponte para o futuro”, que serviu de base para os dois anos do governo de Temer, o MDB lançou um novo manifesto “Renovação democrática é emprego e oportunidades” em que defende as reformas tributária, da Previdência e as mudanças na legislação trabalhista implantadas por Temer.

O texto propõe que o governo federal incentive a criação de emprego fazendo parcerias com prefeituras para criar vagas para serviços de zeladoria, varrição e pequenos reparos nos 5.570 municípios brasileiros.

“É preciso adotar medidas emergenciais para recuperar o emprego. O MDB defenderá uma proposta de geração de empregos com fundos de desenvolvimento e fomentos já disponíveis”, afirma Rossi.