Normalidade no Espírito Santo?

Foram mais de 140 mortos desde que a greve da Polícia Militar começou no dia 4 de fevereiro, no Espírito Santo. Mas, segundo o governo federal, o estado volta à normalidade a partir de hoje. É também o dia em que o governador Paulo Hartung (PMDB), que estava afastado do cargo por motivos de saúde, volta ao cargo – antes mesmo do fim da licença médica.

As negociações foram intensas nos últimos dias. Na última sexta-feira, após 11 horas de reunião, uma reunião entre o governo e as famílias dos policiais varou a madrugada para terminar sem acordo. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a Vitória no sábado para debater possíveis soluções para o motim. Na sexta-feira, o secretário de segurança do estado começou a punir os insurgentes: o ponto começou a ser cortado e mais de 700 policiais foram indiciados pelo crime de revolta.

Neste domingo, o número de policiais militares nas ruas chegou a 1.200, segundo a secretaria de segurança do estado. Eles se somam aos 3.500 homens das Forças Armadas que estão nas ruas há uma semana. O retorno parcial é consequência de um acordo entre o governo e associações de policias, feito sem a participação das famílias dos agentes, que continuam bloqueando a saída de batalhões. Escolas e serviços públicos também voltam a funcionar nesta segunda.

De acordo com a Federação do Comércio, o prejuízo dos lojistas passou 300 milhões de reais. Os policiais capixabas reivindicam aumento de 43%, um gasto adicional de 500 milhões aos cofres públicos. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Paulo Hartung afirmou que sua margem de manobra é pequena, mas que paga os salários em dia, e que os policiais capixabas têm o décimo maior rendimento do país. Criticou ainda o corporativismo dos policiais e o fato de que estados como o Rio, que não fizeram ajustes, estarem recebendo socorro do governo federal. “Por que o país está ferrado? Por que meteu o pé na jaca nos gastos públicos”, disse.