Nordeste, WhatsApp e nenhum debate: a semana final

Na campanha de Bolsonaro, a ordem é não se expor. Haddad apostará na fórmula de desconstruir o adversário e fazer novas concessões ao centro

A sete dias de os eleitores irem às urnas para escolher o próximo presidente, todos os olhos se voltam para a campanha do petista Fernando Haddad. É dele a responsabilidade por tentar, de alguma forma, tirar a enorme diferença de 18 pontos percentuais que o separar do virtual futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL). Na campanha adversária, a ordem é não se expor — tanto que a participação em debates está definitivamente descartada.

Nos últimos dias de campanha Haddad vai se dividir entre o Nordeste, onde o PT tem o eleitorado mais fiel, e o sudeste, o maior colégio eleitoral do país. Ontem, ele esteve em São Luís. Hoje, tem agenda em São Paulo, num encontro com intelectuais. Amanhã, fará campanha no Rio, onde participará de um encontro com artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso. A ideia é fechar a campanha no Nordeste — no primeiro turno, o estado escolhido foi a Bahia.

Para aumentar sua votação no Nordeste, região que tem sido alvo de investidas de Bolsonaro nas redes sociais, Haddad chegou ontem a prometer aumento de 20% no Bolsa Família a partir de janeiro. O candidato do PSL, crítico histórico do programa, agora defende a inclusão de um décimo terceiro salário para os beneficiários.

Depois de vencer quatro segundos turnos consecutivamente, os petistas vão apostar na fórmula de desconstruir o adversário, cercar seu eleitor mais fiel, e fazer concessões ao centro para tentar conquistar novos votos. É uma fórmula que deu certo nas disputas contra o PSDB, mas vem se mostrando inócua contra a onda bolsonarista.

O plano do partido, na televisão e nas redes sociais, é seguir mostrando como as propostas de Bolsonaro para a segurança e para o campo social podem aumentar a violência e retirar direitos dos trabalhadores. O partido também deve seguir apresentando o adversário como uma porta aberta para a volta da ditadura no Brasil (apesar de, no sábado, o Tribunal Superior Eleitoral ter retirado algumas peças do ar). Segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, metade dos brasileiros vê chances do retorno de um governo militar — entre os eleitores de Haddad, 75% veem essa possibilidade.

O problema é o partido passar os próximos sete dias pregando para os 40% já convertidos. Uma esperança é que as recentes denúncias de uso de caixa dois para financiar o envio de milhares de mensagens por WhatsApp possam desconstruir a imagem de incorruptível do candidato adversário e conseguir converter alguns votos. Segundo o mesmo Datafolha, 26% dos eleitores decidiram o voto a presidente no primeiro turno nos últimos sete dias — 12% deixaram a decisão para o dia da votação. A esperança do partido é que um cenário semelhante se repita no segundo turno.