No Flamengo, acidente ou negligência? A busca por respostas

MP do Rio se reunirá nesta segunda-feira com representantes do Flamengo para descobrir como um local que teve mais de 30 multas continuava funcionando

O incêndio que matou dez jogadores da base do Flamengo foi um acidente ou mais um episódio de negligência? Representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro se reunirão nesta segunda-feira com representantes do Flamengo, da Polícia Civil, dos Bombeiros e da Prefeitura para descobrir como um local que teve mais de 30 multas continuava funcionando. Segundo a Prefeitura, o clube ainda não pagou 21 das 31 multas recebidas por funcionamento sem alvará nos últimos anos.

Três jogadores continuam internados, um deles em estado grave. Este fim de semana foi de enterros Brasil afora, com as famílias se despedindo dos jovens que morreram após um incêndio na madrugada de sexta-feira no Ninho do Urubu, centro de treinamento do clube carioca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O Ministério Público informou que o objetivo da reunião de hoje buscar soluções “imediatas” para as famílias atingidas, além de cuidar regularização das instalações do clube. O Corpo de Bombeiros informou que o local não tem o Certificado de Aprovação emitido pela corporação, e a Prefeitura emitiu nota declarando que os alvarás estariam irregulares.

Em nota, o Flamengo diz que assume o compromisso de manter a remuneração paga aos atletas. O Ministério Público do Trabalho do Rio quer mais, e criou um força-tarefa para apurar as possíveis causas e as consequências do incêndio. O órgão estuda medidas judiciais para assegurar às vítimas e a suas famílias a indenização devida. Existe até a possibilidade de bloqueio de bens do clube. A investigação da Polícia Civil sobre as causas do acidente está em andamento.

Administrado há seis anos por gestores com experiência empresarial, o Flamengo conseguiu impulsionar as receitas e aumentar os investimentos no futebol — a previsão é de um orçamento de 750 milhões de reais para 2019. Também elevou os investimentos na categoria de base de 8 milhões de reais, em 2013, para 32 milhões de reais, no ano passado, segundo a consultoria Sports Value.

Ministério Público e órgãos de fiscalização buscam, de um lado, evitar que tragédias como esta se repitam. De outro, evitar outra situação bem brasileira: passada a comoção pós-desastre, as indenizações e as punições ficam no ar. Foi o que aconteceu, para ficar num exemplo dentro do universo futebolístico, com as famílias de jogadores mortos após a queda num avião que levava a Chapecoense, no fim de 2016.